Deficincia Fsica

 Carolina R. Schirmer
     Ndia Browning
          Rita Bersch
  Rosngela Machado
Presidente
Luiz Incio Lula da Silva

Ministrio da Educao
Fernando Haddad

Secretrio de Educao a Distncia
Ronaldo Mota

Secretria de Educao Especial
Cludia Pereira Dutra
   Formao Continuada a Distncia
        de Professores para o
Atendimento Educacional Especializado

            Deficincia Fsica



               SEESP / SEED / MEC
                Braslia/DF  2007
F    icha Tcnica                                                 C  oordenao do Projeto de Aperfeioamento de
                                                                     Professores dos Municpios-Polo do Programa
                                                                     "Educao Inclusiva; direito  diversidade" em
                                                                     Atendimento Educacional Especializado
                                                                     Cristina Abranches Mota Batista
S
ecretrio de Educao a Distncia
Ronaldo Mota
                                                                     Edilene Aparecida Ropoli
                                                                     Maria Teresa Eglr Mantoan
                                                                     Rita Vieira de Figueiredo

D   iretor do Departamento de Polticas de Educao a Distncia

                                                                  A
    Helio Chaves Filho                                               utores deste livro: Atendimento Educacional
                                                                     Especializado em Deficincia Fsica

C
oordenadora Geral de Avaliao e Normas em Educao a
Distncia
Maria Suely de Carvalho Bento
                                                                     Carolina R. Schirmer
                                                                     Ndia Browning
                                                                     Rita de Cssia Reckziegel Bersch
                                                                     Rosngela Machado

C
oordenador Geral de Articulao Institucional em
Educao a Distncia
Webster Spiguel Cassiano                                          C   rditos Imagens

                                                                  Fotografias de alunos: CEDI  Centro Especializado em

S
ecretria de Educao Especial                                    Desenvolvimento Infantil, Porto Alegre, RS (www.cedionline.com.br).
                                                                  Fotografias de produtos com os respectivos sites citados no corpo
Cludia Pereira Dutra
                                                                  deste trabalho.
                                                                  Recursos de Tecnologia Assistiva confeccionados por Rita Bersch,
D   epartamento de Polticas de Educao Especial
    Cludia Maffini Griboski
                                                                  Renata Cristina da Silva, Carolina R. Schirmer e Miryam Pelosi.



C
oordenao Geral de Articulao da Poltica de Incluso
Denise de Oliveira Alves
                                                                  P   rojeto Grfico
                                                                      Ccero Monteferrante - monteferrante@hotmail.com


                                                                  R   eviso
                                                                      Adriana A. L. Scrok


                                                                  Impresso e Acabamento
                                                                    Grfica e Editora Cromos - Curitiba - PR - 41 3021-5322


                                                                  Ilustraes
                                                                     Ester Costa Quevedo

                                                                     Alunos da APAE de Contagem - Minas Gerais
                                                                     Alef Aguiar Mendes (12 anos)
                                                                     Felipe Dutra dos Santos (14 anos)
                                                                     Marcela Cardoso Ferreira (13 anos)
                                                                     Rafael Felipe de Almeida (13 anos)
                                                                     Rafael Francisco de Carvalho (12 anos)
                                     PREFCIO
         O Ministrio da Educao desenvolve a poltica de educao inclusiva que pressupe a
transformao do Ensino Regular e da Educao Especial e, nesta perspectiva, so implementadas diretrizes
e aes que reorganizam os servios de Atendimento Educacional Especializado oferecidos aos alunos com
deficincia visando a complementao da sua formao e no mais a substituio do ensino regular.
         Com este objetivo a Secretaria de Educao Especial e a Secretaria de Educao a Distncia
promovem o curso de Aperfeioamento de Professores para o Atendimento Educacional Especializado,
realizado em uma ao conjunta com a Universidade Federal do Cear, que efetiva um amplo projeto de
formao continuada de professores por meio do programa Educao Inclusiva: direito  diversidade.
         Incidindo na organizao dos sistemas de ensino o projeto orienta o Atendimento Educacional
Especializado nas salas de recursos multifuncionais em turno oposto ao freqentado nas turmas comuns
e possibilita ao professor rever suas prticas  luz dos novos referenciais pedaggicos da incluso.
         O curso desenvolvido na modalidade a distncia, com nfase nas reas da deficincia fsica,
sensorial e mental, est estruturado para:
        - trazer o contexto escolar dos professores para o foco da discusso dos novos referenciais para
          a incluso dos alunos;
        - introduzir conhecimentos que possam fundamentar os professores na reorientao das suas
          prticas de Atendimento Educacional Especializado;
        - desenvolver aprendizagem participativa e colaborativa necessria para que possam ocorrer
          mudanas no Atendimento Educacional Especializado.
         Nesse sentido, o curso oferece fundamentos bsicos para os professores do Atendimento
Educacional Especializado que atuam nas escolas pblicas e garante o apoio aos 144 municpios-plo
para a implementao da educao inclusiva.


        CLAUDIA PEREIRA DUTRA
        Secretria de Educao Especial
                              APRESENTA<O


A
         s autoras deste livro se esmeraram ao
         ilustrar o que pensam e o que fazem no
         sentido de dar acesso e garantir o
prosseguimento de estudar dos alunos com
deficincia fsica.




D
           a sofisticao da alta tecnologia ao
           material facilmente elaborado e criativo
           de baixa tecnologia, o que se quer
demonstrar  que h muito a ser propiciado pelos
sistemas educacionais s pessoas com problemas
fsicos, para que elas possam superar dificuldades,
ao se defrontarem com um ambiente escolar e
social inadequado s suas necessidades.




O
         material aqui apresentado e o modo de
         utiliz-lo em AEE  um convite a
         arregaarmos     as    mangas    para
colocarmos nossas mos  obra.



                      Coordenao do Projeto.
                                                                             SUMRIO
CAPTULO I
CONHECENDO O ALUNO COM DEFICINCIA FSICA ................................................................................................... 15
  Organizao Bsica do Sistema Nervoso ...................................................................................................................................................... 15
  Plasticidade Neural ............................................................................................................................................................................................ 17
  Importncia da Estimulao Precoce ............................................................................................................................................................ 19
  Deficincia: Terminologia e Educao Inclusiva......................................................................................................................................... 19
  Deficincia Fsica ............................................................................................................................................................................................... 22

CAPTULO II
ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA A DEFICINCIA FSICA ................................................... 27
  O Atendimento Educacional Especializado e o uso da Tecnologia Assistiva no ambiente escolar ................................................ 27
  Que recursos humanos so necessrios ao Atendimento Educacional Especializado para a Deficincia Fsica?........................ 28

CAPTULO III
TECNOLOGIA ASSISTIVA  TA ........................................................................................................................................ 31
  Avaliao e implementao da TA ................................................................................................................................................................. 35
  Modalidades da TA ............................................................................................................................................................................................ 36

CAPTULO IV
AUXLIO EM ATIVIDADES DE VIDA DIRIA - MATERIAL ESCOLAR E PEDAGLGICO ADAPTADO ..................... 41
  1. Resolvendo com criatividade problemas funcionais ............................................................................................................................. 41
  2. Rompendo barreiras para o aprendizado ................................................................................................................................................ 52

CAPTULO V
COMUNICA<O AUMENTATIVA E ALTERNATIVA - CAA ............................................................................................... 57
  1. Introduo  CAA. ........................................................................................................................................................................................ 57
  2. O que  a Comunicao Aumentativa e Alternativa............................................................................................................................. 58
     3. Quem pode se beneficiar do uso de CAA?..............................................................................................................................................                               59
     4. Sistemas de Comunicao Aumentativa e Alternativa - SCAA...........................................................................................................                                                60
     5. O que so os recursos de CAA? ................................................................................................................................................................                     60
     6. Acessrios e idias para criarmos recursos de comunicao, utilizando baixa tecnologia. ..........................................................                                                                 65
     7. Algumas sugestes para o trabalho com a Simbologia Grfica PCS e confeco de recursos de CAA.....................................                                                                                 72
     8. Quando iniciar com a CAA. ......................................................................................................................................................................                   74
     9. Trabalho em equipe.......................................................................................................................................................................................          74
     10. Como iniciar/ensinar o uso da CAA. ....................................................................................................................................................                           74
     11. Consideraes que ajudam a determinar o formato do recurso de CAA. .....................................................................................                                                          76
     12. Tcnicas de seleo ......................................................................................................................................................................................        78
     13. Os recursos de alta tecnologia utilizados na CAA. .............................................................................................................................                                   81
     14. Concluso. ....................................................................................................................................................................................................   83

CAPTULO VI
RECURSOS DE ACESSIBILIDADE AO COMPUTADOR....................................................................................................... 87
  1. Funo do Teclado ........................................................................................................................................................................................ 88
  2. Funo do Mouse.......................................................................................................................................................................................... 91
  3. Apoio  escrita e  leitura .......................................................................................................................................................................... 100

CAPTULO VII
ACESSIBILIDADE ARQUITETlNICA .................................................................................................................................... 105

CAPTULO VIII
ALINHAMENTO E ESTABILIDADE POSTURAL: COLABORANDO COM AS QUEST>ES DO APRENDIZADO ..... 111
  1. Revisando conceitos e colocando em prtica a Adequao Postural .............................................................................................. 112
  2. Noes sobre avaliao e indicao de recursos posturais ................................................................................................................. 113
  3. Tnus Muscular e os Reflexos Tnicos .................................................................................................................................................. 117
  4. Fotos de Recursos Posturais e Resultados.............................................................................................................................................. 121
  5. Referncias Bibliogrficas .......................................................................................................................................................................... 123

CAPTULO IX
CONSIDERA>ES FINAIS ....................................................................................................................................................... 129
                                        Sobre este livro

E
        ste texto tem por objetivo levar o professor a refletir   listar e definir a evoluo de cada quadro clnico, como um
        e construir um saber e uma prtica sobre o                compndio mdico, mas esclarecer que existem quadros que
        Atendimento Educacional Especial  AEE destinado          so estveis e outros progressivos, queles que precisaro
aos alunos com deficincia fsica.                                ateno de sade constante e que merecem cuidados
                                                                  especficos. Falaremos tambm de possveis complicaes
         Buscando entender a deficincia, em especial a
                                                                  associadas  deficincia fsica e que nos remetem na busca e
deficincia fsica, introduziremos o conhecimento de uma
                                                                  no estudo de alternativas que contribuam para eliminar as
organizao bsica do Sistema Nervoso - SN, que desempenha
                                                                  barreiras da aprendizagem.
uma funo coordenadora de nossas aes, a partir de
                                                                         Por fim trabalharemos especificamente sobre o AEE
experincias e aprendizados.
                                                                  e outras questes prticas de organizao escolar que
         Procuraremos tambm definies que esclaream a          promovero o acolhimento e o desenvolvimento do aluno
terminologia deficincia e deficincia fsica bem como a          com deficincia fsica na rede regular de ensino.
funcionalidade e participao                                                                         Exploraremos o conceito
social da pessoa com deficincia,                                                           da Tecnologia Assistiva e sua
entendendo que suas restries                                                              ligao com o AEE na deficincia
no so somente impostas pela                                                               fsica, especificando as seguintes
condio fsica (alterao da                                                               modalidades:
estrutura e funo do corpo
biolgico), mas os aspectos                                                                    Auxlio em Atividades de
psicolgicos, educacionais e                                                                    Vida Diria  Material Escolar
sociais tambm determinam                                                                       e Pedaggico Adaptado.
possibilidades e impedimentos                                                                  Comunicao Aumentativa e
de       desenvolvimento      de                                                                Alternativa.
habilidades e de incluso do                                                                   Informtica Acessvel.
aluno com deficincia.                                                                         Acessibilidade e Adaptaes
         A deficincia fsica pode                                                              Arquitetnicas.
ter origem em diferentes etiologias                                                            Mobilirio  Adequao
e nosso objetivo no ser o de                                                                  Postural  Mobilidade.
              Conhecendo o aluno com deficincia fsica
                                                                                                     Rita Bersch
                                                                                              Rosngela Machado




   Organizao bsica do Sistema                                          Experincias sensoriais podem provocar uma
                                                                reao imediata no corpo ou podem ser armazenadas
             Nervoso
                                                                como memria no encfalo por minutos, semanas ou
                                                                anos, at que sejam utilizadas num futuro controle de



O
            papel primrio do Sistema Nervoso (SN)             atividades motoras ou em processos intelectuais.
            coordenar e controlar a maior parte das
                                                                          A cada momento somos bombardeados por
            funes de nosso corpo. Para fazer isso, o
                                                                milhares de informaes, no entanto, armazenamos e
Sistema Nervoso recebe milhares de informaes dos                                                                              15
                                                                utilizamos aquelas que, de alguma forma, sejam significativas
diferentes rgos sensoriais e, a seguir, integra todas elas,
                                                                para ns e descartamos outras no relevantes.
para depois determinar a resposta
a ser executada pelo corpo. Essa                                                               Aprendemos       aquilo




                                                                                                                                Captulo I - Conhecendo o Aluno com Deficincia Fsica
resposta ser expressa pelo                                                           que     vivenciamos       e    a
comportamento motor, atividade                                                        oportunidade de relaes e
mental, fala, sono, busca por                                                         correlaes,         exerccios,
alimento, regulao do equilbrio                                                     observaes, auto-avaliao e
interno do corpo, entre outros.                                                       aperfeioamento na execuo
                                                                                      das tarefas far diferena na
     Experincia Sensorial                                                            qualidade e quantidade de
                                                                                      coisas que poderemos aprender
       Processamento das                                                              no curso de nossas vidas.
          Informaes                                                                 Conforme        explicita      o
                                                                                      documento do Ministrio da
                                                                                      Educao (MEC, 2003, p. 19):
 Emisso de Comportamento
                                                                                                Piaget afirma que a inteligncia     e, assim por diante, vo formando um banco de dados
                                                                                       se constri mediante a troca entre o          que no futuro ser retomado em processamentos cada
                                                                                       organismo e o meio, mecanismo pelo            vez mais complexos e abstratos.
                                                                                       qual se d a formao das estruturas                   Camargo (1994, pg. 20) citando Piaget diz:
                                                                                       cognitivas. ,,O organismo com sua             " a criana cientista, interessada em relaes de
                                                                                       bagagem hereditria, em contato com o         causalidade, emprica ainda, mas sempre em busca de
                                                                                       meio, perturba-se, desequilibra-se e, para    novos resultados por tentativa e erro".
                                                                                       superar esse desequilbrio e se adaptar,
                                                                                       constri novos esquemas.                                Desta forma podemos dizer que  medida
                                                                                                                                     que a criana evolui no controle de sua postura e
                                                                                                                                     especializa seus movimentos, sendo cada vez mais
                                                                                    E continua o documento...                        capaz de deslocar-se e aumentar sua explorao do
                                                                                                                                     meio, est lanando as bases de seu aprendizado, seu
                                                                                                                                     corpo est sendo marcado por infinitas e novas
                                                                                                 Dessa maneira, as aes da          sensaes.
                                                                                       criana sobre o meio: fazer coisas, brincar
                                                                                                                                               Lefvre  tambm citado por Camargo (1994,
16                                                                                     e resolver problemas podem produzir
                                                                                                                                     pg. 17) e diz:
                                                                                       formas de conhecer e pensar mais
                                                                                       complexas, combinando e criando novos
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                       esquemas, possibilitando novas formas                               Desde o nascimento, o crebro
                                                                                       de fazer, compreender e interpretar o                     infantil est em constante evoluo
                                                                                       mundo que a cerca.                                        atravs de sua inter-relao com o meio.
                                                                                                                                                 A criana percebe o mundo pelos
                                                                                     O aprendizado tem incio muito precoce.                     sentidos, age sobre ele, e esta interao se
                                                                           Durante a primeira etapa do desenvolvimento infantil                  modifica durante a evoluo, entendendo
                                                                           a criana especializa e aumenta seu repertrio de                     melhor, pensando de modo mais
                                                                           relaes e expresses atravs dos movimentos e das                    complexo, comportando-se de maneira
                                                                           sensaes que estes lhe proporcionam; das aes que                   mais adequada, com maior preciso
                                                                           executa sobre o meio; da reao do meio, novamente                    prxica,  medida que domina seu
                                                                           percebida por ela. Sensaes experimentadas,                          corpo.
                                                                           significadas afetiva e intelectualmente, armazenadas e
                                                                           utilizadas, reutilizadas e percebidas em novas relaes
          Neste sentido, a criana com deficincia                A plasticidade do Sistema Nervoso acontece
fsica no pode estar em um mundo  parte para           no curso do desenvolvimento normal e tambm em
desenvolver habilidades motoras.  preciso que ela       casos de pessoas que retomam seu desenvolvimento,
receba os benefcios tecnolgicos e de reabilitao em   aps sofrerem agresses e leses neurolgicas.
constante interao com o ambiente ao qual ela                     Durante o 1 ano de vida da criana
pertence.  muito mais significativo  criana           percebemos alteraes constantes de sua expresso
desenvolver habilidades de fala se ela tem com quem      motora com progressivo incremento de habilidades.
se comunicar. Da mesma forma,  mais significativo       Essa evoluo normal corresponde s aquisies do
desenvolver habilidade de andar se para ela est         desenvolvimento motor normal, determinado
garantido o seu direito de ir e vir.                     filogeneticamente, ao longo da evoluo. Sabemos,
          O ambiente escolar  para qualquer criana     portanto, que a qualidade de oportunidades e vivncias
o espao por natureza de interao de uns com os         dessa criana acelerar ou retardar essa evoluo.
outros.  nesse espao que nos vemos motivados a                    O desenvolvimento englobar tambm
estabelecer comunicao, a sentir a necessidade de se    interferncias de fatores genticos e ambientais e neste
locomover, entre outras habilidades que nos fazem        ponto encontraremos diferenciaes entre indivduos
pertencer ao gnero humano. O aprendizado de             e grupos de indivduos com caractersticas genticas       17
habilidades ganha muito mais sentido quando a            distintas.
criana est imersa em um ambiente compartilhado
que permite o convvio e a participao. A incluso               Posteriormente o desenvolvimento evolui
                                                         para o surgimento de habilidades, que dependem de




                                                                                                                    Captulo I - Conhecendo o Aluno com Deficincia Fsica
escolar  a oportunidade para que de fato a criana
com deficincia fsica no esteja  parte, realizando    aprendizado especfico e por isso acontece somente
atividades meramente condicionadas e sem sentido.        naqueles que receberam estmulos prprios para o
                                                         desenvolvimento dessa habilidade.
                                                                   No curso de todo o desenvolvimento humano
                                                         os fatores ambientais estaro provocando e instigando
              Plasticidade Neural
                                                         o desenvolvimento dos centros neurolgicos que vo se
                                                         organizando e reorganizando a partir desta demanda.
         Uma das importantes caractersticas do
                                                                   Pessoas que sofreram leses neurolgicas
Sistema Nervoso  denominada "Plasticidade Neural".
                                                         no fogem desta regra, elas devem ento reorganizar
Mas o que  a plasticidade?  a habilidade de tomar a
                                                         seus sistemas de controle neurais para a retomada de
forma ou alterar a forma e funcionamento a partir da
                                                         tarefas perdidas ou aprendizado de outras desejadas.
demanda ou exigncia do meio.
                                                                           Mais do que nunca, a "oportunidade" far a diferena                   integrada que possam contribuir para o
                                                                           e precisaremos instigar atravs da estimulao os                      desenvolvimento das capacidades infantis
                                                                           "centros de controle" a reorganizarem-se para assumir                  de relao interpessoal, de ser e estar com
                                                                           a funo da parte lesada. Nesse caso, a quantidade e,                  os outros em uma atitude bsica de
                                                                           mais ainda, a qualidade de estmulos proporcionados                    aceitao, respeito, confiana, e o acesso,
                                                                            criana possibilitar o desenvolvimento mximo de                    pelas crianas, aos conhecimentos mais
                                                                           suas potencialidades e isso justifica a importncia de                 amplos da realidade social e cultural.
                                                                           criarmos oportunidades comuns de convivncias e                        (BRASIL, 1998, pp. 23 e 24)
                                                                           desafios para o desenvolvimento.

                                                                                                                                               Como fica o conhecimento sobre a plasticidade
                                                                                                 A abordagem pedaggica para         neural no ambiente escolar?
                                                                                       as crianas com deficincia mltipla na                  O ambiente escolar promove desafios de
                                                                                       educao infantil enfatiza o direito de ser   aprendizagem. Privar uma criana ou um jovem dos
                                                                                       criana, poder brincar e viver experincias   desafios da escola  impedi-los de se desenvolverem. No
                                                                                       significativas de forma ldica e informal.    podemos aprisionar a nossa concepo equivocada de
18                                                                                     Assegura ainda o direito de ir  escola,      limitao. O estudo da plasticidade neural vem nos
                                                                                       aprender e construir o conhecimento de        demonstrar que o ser humano  ilimitado e que, apesar das
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                       forma adequada e mais sistematizada, em       condies genticas ou neurolgicas, o ambiente tem forte
                                                                                       companhia de outras crianas em sua           interveno nesses fatores. Quanto mais o meio promove
                                                                                       comunidade. (MEC, 2003, p. 12)                situaes desafiadoras ao indivduo, mais ele vai responder
                                                                                                                                     a esses desafios e desenvolver habilidades perdidas ou que
                                                                                                 A educao infantil, nesse          nunca foram desenvolvidas. Se propusermos situaes de
                                                                                       contexto, tem duas importantes funes:       acordo com a limitao da criana, ela no encontrar
                                                                                       ,,cuidar e ,,educar. Cuidar tem o sentido     motivos para se sentir desafiada.
                                                                                       de ajudar o outro a se desenvolver como                 Uma criana com atraso no desenvolvimento
                                                                                       ser humano, atender s necessidades           motor, ou com uma paralisia cerebral, quando includa em
                                                                                       bsicas,     valorizar  e     desenvolver     ambiente escolar inclusivo, tem inmeras razes para se
                                                                                       capacidades. Educar significa propiciar       sentir provocada a desenvolver habilidades que no
                                                                                       situaes de cuidado, brincadeiras e          desenvolveria em um ambiente segregado.
                                                                                       aprendizagens orientadas de forma
    Importncia da Estimulao Precoce                                 nascimento aos seis anos de idade.
                                                                       Efetivamente, esses programas tm por
                                                                       objetivos o cuidar, o desenvolvimento das
           No processo de desenvolvimento, uma das
                                                                       possibilidades humanas, de habilidades,
coisas que diferencia um beb com deficincia fsica
                                                                       da promoo da aprendizagem, da
de outro,  que ele, pela impossibilidade de deslocar-se
                                                                       autonomia       moral,     intelectual   e,
para explorar espontnea e naturalmente o meio,
                                                                       principalmente, valorizam as diferentes
passa a ter privaes de experincias sensoriais.
                                                                       formas de comunicao e de expresso
Justifica-se, ento, a importncia da interveno em
                                                                       artstica. O mesmo referencial curricular
estimulao precoce dessa criana, favorecendo com
                                                                       nacional para a educao infantil (BRASIL,
que ela tenha uma relao rica com o outro e com o
                                                                       1998) recomendado para as outras crianas
meio. A educao infantil, proposta nos espaos da
                                                                        essencial para estas com alteraes
creche e pr-escola, possibilitar que a criana com
                                                                       significativas     no      processo     de
deficincia experimente aquilo que outros bebs e
                                                                       desenvolvimento e aprendizagem, pois
crianas da mesma idade esto vivenciando:
                                                                       valoriza: o brincar como forma particular
brincadeiras corporais, sensoriais, msicas, estrias,
                                                                       de expresso, pensamento, interao e         19
cores, formas, tempo e espao e afeto.
                                                                       comunicao infantil, e a socializao das
          Buscando construir bases e alicerces para o                  crianas por meio de sua participao e
aprendizado, a criana pequena com deficincia                         insero nas mais diversificadas prticas




                                                                                                                     Captulo I - Conhecendo o Aluno com Deficincia Fsica
tambm necessita experimentar, movimentar-se e                         sociais, sem discriminao de espcie
deslocar-se (mesmo do seu jeito diferente); necessita                  alguma. (Brasil, 2003, p. 9)
tocar, perceber e comparar; entrar, sair, compor e
desfazer; necessita significar o que percebe com os
sentidos, como qualquer outra criana de sua idade.
                                                              Deficincia: Terminologia e Educao
                                                                            Inclusiva
                       Hoje,  indiscutvel o benefcio
             que traz, para qualquer criana,
             independentemente de sua condio fsica,                A terminologia  uma questo complexa, mas
             intelectual ou emocional, um bom              discusses realizadas tm demonstrado que podemos
             programa de educao infantil do              aliar as classificaes  perspectiva inclusiva.
                                                                                     Uma primeira anlise dos estudos               cadernos com pautas espaadas, tem lupas manuais ou
                                                                           terminolgicos compreende a classificao adotada        eletrnicas, com certeza ele no ter uma incapacidade
                                                                           pela Organizao Mundial da Sade (OMS), a qual          de lidar com a escolarizao, porque o ambiente
                                                                           evoluiu de acordo com a concepo sobre as pessoas       possibilitou condies de acessibilidade.
                                                                           com deficincia e conforme a sade foi interagindo                 O estudo da terminologia com base nos
                                                                           com as outras reas do conhecimento. A classificao     documentos da OMS confirma a idia de que os
                                                                           denominada International Classification of Impairment,   servios de educao especial so de fundamental apoio
                                                                           Disabilities and Handicaps (ICIDH), traduzida em         ao ensino regular para que no transformemos a
                                                                           Portugus como Classificao Internacional de            deficincia em uma incapacidade.
                                                                           Deficincias, Incapacidades e Desvantagens (CIDID),
                                                                           traz termos avanados em relao a pocas anteriores.               A OMS no cessa a sua discusso sobre
                                                                                                                                    classificao das pessoas com deficincia e, no fim de
                                                                                     Essa classificao foi lanada em 1976, em     1997, a ICIDH passa por uma intensa reviso. Surge,
                                                                           Assemblia Geral da Organizao Mundial da Sade         ento, a ICIDH2, com base em outra trilogia:
                                                                           em carter experimental, e publicada em 1980, tal  a    deficincia, atividade e participao. A nova abordagem
                                                                           fragilidade das categorizaes. A ICIDH  baseada na
20                                                                                                                                  no nega a deficincia, demonstrando que  necessrio
                                                                           trilogia    impairment       (deficincia), disability   assumi-la para super-la. O conceito de deficincia,
                                                                           (incapacidade) e handicap (desvantagem). A deficincia
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                                                                                                                                    portanto, permanece; o de atividade refere-se 
                                                                            entendida como uma manifestao corporal ou            execuo propriamente dita de uma atividade do
                                                                           como a perda de uma estrutura ou funo do corpo;        indivduo e no a sua aptido em realiz-la; o de
                                                                           a incapacidade refere-se ao plano funcional,             participao compreende a interao entre o indivduo
                                                                           desempenho do indivduo e a desvantagem diz              e o ambiente. Para Dischinger (2004, p. 20) a principal
                                                                           respeito  condio social de prejuzo, resultante da    diferena entre as duas ICDHI  que a segunda no se
                                                                           deficincia e/ou incapacidade.                           prende s qualidades da deficincia, mas tende a
                                                                                     Uma situao de incapacidade pode ser          abordar os recursos necessrios aos indivduos para a
                                                                           transformada e podemos exemplificar com o caso de        criao de ambientes menos restritivos que favorea a
                                                                           um aluno com deficincia visual  baixa viso,           participao de todos.
                                                                           freqentando a sala de aula do ensino regular. Ele tem            Para no cairmos em interpretaes
                                                                           uma deficincia, mas se a escola produz a ampliao      equivocadas e preconceituosas,  necessrio atrelar as
                                                                           das letras dos textos usados na sala de aula, produz     terminologias aos seus conceitos. De acordo com
Fvero (2004, p. 22), "quanto mais natural for o modo      removidas pelos recursos disponveis, tanto materiais
de se referir  deficincia, como qualquer outra           quanto humanos.
caracterstica da pessoa, mais legitimado  o texto".                A deficincia, vale lembrar,  marcada pela
           Em 2001, uma terceira classificao foi         perda de uma das funes do ser humano, seja ela fsica,
lanada pela OMS, agora intitulada International           psicolgica ou sensorial. O indivduo pode, assim, ter
Classification of Functioning, disability and Health       uma deficincia, mas isso no significa necessariamente
(ICF), em portugus, Classificao Internacional de        que ele seja incapaz; a incapacidade poder ser
Funcionalidade, Incapacidade ou Restrio e Sade.         minimizada quando o meio lhe possibilitar acessos.
Essa descreve a vida dos indivduos de acordo com sua                 As terminologias da OMS colaboram no
sade. A nova classificao surge devido a uma interao   sentido de no concebermos a deficincia como algo
da sade com as questes sociais. As inovaes dessa       fixado no indivduo. Esta no pode sofrer uma
classificao so as medidas sociais e judiciais tomadas   naturalizao de modo a negar os processos de evoluo
para garantir acessibilidade e tratamento especfico aos   e de interao com o ambiente. A conceituao da
que necessitam. O termo funcionamento traz uma             deficincia serve, portanto, para definirmos polticas de
questo positiva que  a de relacionar as funes e as     atendimentos, recursos materiais, condies sociais e
estruturas do corpo com as atividades e a participao     escolares. A OMS, como vimos, no negou a deficincia,      21
dos indivduos. So todas as atividades que o indivduo    mas cumpre observar que a sua inteno no  a de
pode desempenhar na sociedade, levando em                  discriminao. Ela faz a diferenciao pela deficincia
considerao os acessos promovidos. A incapacidade,        para conhecer quais as necessidades do indivduo. A




                                                                                                                       Captulo I - Conhecendo o Aluno com Deficincia Fsica
segundo Dischinger (2004, p. 23), de realizao de         Guatemala, promulgada no Brasil pelo Decreto n
alguma atividade no  somente o resultado da limitao    3.956/2001, deixa clara a proibio de qualquer
da funo corporal, mas tambm o da interao das          diferenciao que implique excluso ou restrio de
funes corporais e as demandas, costumes, prticas e      acesso a direitos fundamentais. Porm, essa diferenciao
organizao do meio em que est inserido.                  deve ser feita toda vez que a mesma beneficie a pessoa
          Sabemos que no so as terminologias que         com deficincia como relata Mantoan (2004, p. 5):
definem nossa atitude perante uma pessoa com
deficincia. A exemplo disso, o aluno pode ter uma
deficincia sem sentir-se deficiente quando o poder                               De acordo com o princpio da
pblico prov, em suas escolas, meios de acessibilidade                 no discriminao, trazido pela Conveno
que garantem o direito de ir e vir de uma criana ou                    da Guatemala, espera-se que na adoo da
jovem e quando as barreiras de aprendizagem so                         mxima ,,tratar igualmente os iguais e
                                                                                       desigualmente os desiguais admitam-se as                     comprometimento da funo fsica,
                                                                                       diferenciaes com base na deficincia                       apresentando-se sob a forma de paraplegia,
                                                                                       apenas com o propsito de permitir o                         paraparesia, monoplegia, monoparesia,
                                                                                       acesso ao direito e no para negar o                         tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia,
                                                                                       exerccio dele.                                              hemiplegia, hemiparesia, amputao ou
                                                                                                                                                    ausncia de membro, paralisia cerebral,
                                                                                                                                                    membros com deformidade congnita ou
                                                                                     Embora reconheamos os limites das                             adquirida, exceto as deformidades estticas e
                                                                           terminologias, devemos ter claro que elas podem nos                      as que no produzam dificuldades para o
                                                                           auxiliar na busca de servios e recursos que garantam a                  desempenho de funes.
                                                                           pessoa com deficincia sua participao na sociedade.

                                                                                                                                               O comprometimento da funo fsica
                                                                                                                                       poder acontecer quando existe a falta de um
                                                                                                                                       membro (amputao), sua m-formao ou
                                                                                           Deficincia Fsica
                                                                                                                                       deformao (alteraes que acometem o sistema
                                                                                                                                       muscular e esqueltico).
22                                                                                    No Decreto n 3.298 de 1999 da legislao
                                                                                                                                                 Ainda encontraremos alteraes funcionais
                                                                           brasileira, encontramos o conceito de deficincia e de
                                                                                                                                       motoras decorrentes de leso do Sistema Nervoso e,
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                           deficincia fsica, conforme segue:
                                                                                                                                       nesses casos, observaremos principalmente a alterao
                                                                                                                                       do tnus muscular (hipertonia, hipotonia, atividades
                                                                                                  Art. 3...: - Para os efeitos deste   tnicas reflexas, movimentos involuntrios e
                                                                                       Decreto, considera-se:                          incoordenados). As terminologias "para, mono, tetra, tri
                                                                                                  I - Deficincia  toda perda ou      e hemi", diz respeito  determinao da parte do corpo
                                                                                       anormalidade de uma estrutura ou funo         envolvida, significando respectivamente, "somente os
                                                                                       psicolgica, fisiolgica ou anatmica que       membros inferiores, somente um membro, os quatro
                                                                                       gere incapacidade para o desempenho de          membros, trs membros ou um lado do corpo".
                                                                                       atividade, dentro do padro considerado                   O documento "Salas de Recursos
                                                                                       normal para o ser humano;                       Multifuncionais. Espao do Atendimento Educacional
                                                                                                  Art. 4...: - Deficincia Fsica     Especializado" publicado pelo Ministrio da Educao
                                                                                       alterao completa ou parcial de um ou mais     afirma que:
                                                                                       segmentos do corpo humano, acarretando o
                         A deficincia fsica se refere ao     J no segundo caso, existe o aumento progressivo de
              comprometimento do aparelho locomotor            incapacidades funcionais e os problemas de sade
              que compreende o sistema Osteoarticular,         associados podero ser mais freqentes.
              o Sistema Muscular e o Sistema Nervoso.
                                                                         Algumas vezes os alunos estaro impedidos
              As doenas ou leses que afetam quaisquer
                                                               de acompanhar as aulas com a regularidade necessria,
              desses sistemas, isoladamente ou em
              conjunto, podem produzir grande                  por motivo de internao hospitalar ou de cuidados
              limitaes fsicas de grau e gravidades          de sade que devero ser priorizados. Neste momento,
              variveis, segundo os segmentos corporais        o professor especializado poder propor o atendimento
              afetados e o tipo de leso ocorrida.             educacional hospitalar ou acompanhamento
              (BRASIL, 2006, p. 28)                            domiciliar, at que esse aluno retorne ao grupo, to
                                                               logo os problemas de sade se estabilizarem.
                                                                          Sabemos tambm que nem sempre a
          Na escola encontraremos alunos com
                                                               deficincia fsica aparece isolada e em muitos casos
diferentes diagnsticos. Para os professores ser
                                                               encontraremos associaes com privaes sensoriais
importante a informao sobre quadros progressivos
ou estveis, alteraes ou no da sensibilidade ttil,
                                                               (visuais ou auditivas), deficincia mental, autismo etc.   23
                                                               e, por isso, o conhecimento destas outras reas tambm
trmica ou dolorosa; se existem outras complicaes
                                                               auxiliar o professor responsvel pelo atendimento
associadas como epilepsia ou problemas de sade que
                                                               desse aluno a entender melhor e propor o Atendimento
requerem cuidados e medicaes (respiratrios,




                                                                                                                          Captulo I - Conhecendo o Aluno com Deficincia Fsica
                                                               Educacional Especializado  AEE necessrio.
cardiovasculares, etc.). Essas informaes auxiliaro o
professor especializado a conduzir seu trabalho com o                    Existe uma associao freqente entre a
aluno e orientar o professor da classe comum sobre             deficincia fsica e os problemas de comunicao,
questes especficas de cuidados.                              como nos caso de alunos com paralisia cerebral. A
                                                               alterao do tnus muscular, nessas crianas,
           Deveremos distinguir leses neurolgicas no
                                                               prejudicar tambm as funes fonoarticulatrias,
evolutivas, como a paralisia cerebral ou traumas medulares,
                                                               onde a fala poder se apresentar alterada ou ausente.
de outros quadros progressivos como distrofias musculares
                                                               O prejuzo na comunicao traz dificuldades na
ou tumores que agridem o Sistema Nervoso. Nos
                                                               avaliao cognitiva dessa criana, que comumente 
primeiros casos temos uma leso de caracterstica no
                                                               percebida como deficiente mental. Nesses casos, o
evolutiva e as limitaes do aluno tendem a diminuir a
                                                               conhecimento e a implementao da Comunicao
partir da introduo de recursos e estimulaes especficas.
                                                                           Aumentativa e Alternativa, no espao do atendimento
                                                                           educacional, ser extremamente importante para a
                                                                           escolarizao deste aluno.


                                                                                                [...]  necessrio que os
                                                                                      professores conheam a diversidade e a
                                                                                      complexidade dos diferentes tipos de
                                                                                      deficincia fsica, para definir estratgias
                                                                                      de ensino que desenvolvam o potencial
                                                                                      do aluno. De acordo com a limitao
                                                                                      fsica apresentada  necessrio utilizar
                                                                                      recursos didticos e equipamentos
                                                                                      especiais para a sua educao buscando
                                                                                      viabilizar a participao do aluno nas
24                                                                                    situaes prtica vivenciadas no cotidiano
                                                                                      escolar, para que o mesmo, com
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                      autonomia, possa otimizar suas
                                                                                      potencialidades e transformar o ambiente
                                                                                      em busca de uma melhor qualidade de
                                                                                      vida. (BRASIL, 2006, p. 29)
CAPTULO II
     Atendimento Educacional Especializado Para a
                  Deficincia Fsica

                                                                                                   Rita Bersch
                                                                                            Rosngela Machado




N
             a deficincia fsica encontramos uma diversidade   O Atendimento Educacional Especializado
             de tipos e graus de comprometimento que               e o uso da Tecnologia Assistiva no
             requerem um estudo sobre as necessidades                      Ambiente Escolar
especficas de cada pessoa.
          Para que o educando com deficincia                             A Tecnologia Assistiva, segundo Bersch           27
fsica possa acessar ao conhecimento escolar e                  (2006, p. 2), ,,deve ser entendida como um auxlio que
                                                                promover a ampliao de uma habilidade funcional




                                                                                                                           Captulo II - Atendimento Educacional Especializado para a Deficincia Fsica
interagir com o ambiente ao qual ele freqenta,
faz-se necessrio criar as condies adequadas  sua            deficitria ou possibilitar a realizao da funo
locomoo, comunicao, conforto e segurana.  o               desejada e que se encontra impedida por circunstncia
Atendimento Educacional Especializado, ministrado               de deficincia. Assim, o Atendimento Educacional
                                                                Especializado pode fazer uso das seguintes modalidades
preferencialmente nas escolas do ensino regular, que
                                                                da Tecnologia Assistiva, visando  realizao de tarefas
dever realizar uma seleo de recursos e tcnicas
                                                                acadmicas e a adequao do espao escolar.
adequados a cada tipo de comprometimento para o
desempenho das atividades escolares. O objetivo  que
o aluno tenha um atendimento especializado capaz                         a) Uso da Comunicao Aumentativa e
de melhorar a sua comunicao e a sua mobilidade.                           Alternativa, para atender as necessidades
                                                                            dos educandos com dificuldades de fala
          Por esse motivo, o Atendimento
                                                                            e de escrita.
Educacional Especializado faz uso da Tecnologia
Assistiva direcionada  vida escolar do educando com                     b) Adequao dos materiais didtico-
deficincia fsica, visando a incluso escolar.                             pedaggicos    s  necessidades   dos
                                                                            educandos, tais como engrossadores de
                                                                              lpis, quadro magntico com letras com                   Que recursos humanos so necessrios
                                                                              m fixado, tesouras adaptadas, entre outros.   ao Atendimento Educacional Especializado para
                                                                           c) Desenvolvimento de projetos em parceria         a Deficincia Fsica?
                                                                              com profissionais da arquitetura,
                                                                              engenharia, tcnicos em edificaes                       So os professores especializados os
                                                                              para promover a acessibilidade                  responsveis pelo Atendimento Educacional
                                                                              arquitetnica. No  uma categoria              Especializado, tendo por funo a proviso de
                                                                              exclusivamente de responsabilidade              recursos para acesso ao conhecimento e ambiente
                                                                              dos professores especializados que              escolar. Proporcionam, ao educando com deficincia,
                                                                              atuam no AEE. No entanto, so os                maior qualidade na vida escolar, independncia na
                                                                              professores especializados, apoiados            realizao de suas tarefas, ampliao de sua mobilidade,
                                                                              pelos diretores escolares, que levantam         comunicao e habilidades de seu aprendizado.
                                                                              as necessidades de acessibilidade                         Esses professores, apoiados pelos diretores
                                                                              arquitetnica do prdio escolar.                escolares, estabelecem parcerias com outras reas do
                                                                                                                              conhecimento tais como: arquitetura, engenharia,
28                                                                         d) Adequao de recursos da informtica:
                                                                                                                              terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia,
                                                                              teclado, mouse, ponteira de cabea,
                                                                                                                              entre outras, para que desenvolvam servios e recursos
                                                                              programas especiais, acionadores, entre
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                                                              adequados a esses educandos.
                                                                              outros.
                                                                                                                                       No caso de educandos com graves
                                                                           e) Uso de mobilirio adequado: os                  comprometimentos motores, que necessitam de
                                                                              professores    especializados    devem          cuidados na alimentao, na locomoo e no uso de
                                                                              solicitar  Secretaria de Educao              aparelhos ou equipamentos mdicos, faz-se necessrio
                                                                              adequaes de mobilirio escolar,               a presena de um acompanhante no perodo em que
                                                                              conforme especificaes de especialistas        freqenta a classe comum.
                                                                              na rea: mesas, cadeiras, quadro, entre
                                                                                                                                        So esses recursos humanos que possibilitam
                                                                              outros, bem como os recursos de                 aos alunos com deficincia fsica a autonomia, a
                                                                              auxlio  mobilidade: cadeiras de rodas,        segurana e a comunicao, para que eles possam ser
                                                                              andadores, entre outros.                        inseridos em turmas do ensino regular.
CAPTULO III
                      Tecnologia Assistiva  TA
                                                                                               Rita Bersch




                Tecnologia assistiva  uma            lhe permite ou favorece o desempenho de uma tarefa.
     expresso utilizada para identificar todo o      O servio de tecnologia assistiva na escola  aquele
     arsenal de recursos e servios que               que buscar resolver os problemas funcionais do
     contribuem para proporcionar ou ampliar          aluno, no espao da escola, encontrando alternativas
     habilidades funcionais de pessoas com            para que ele participe e atue positivamente nas vrias
     deficincia e, conseqentemente, promover        atividades neste contexto.
     vida independente e incluso.
                                                                 Fazer TA na escola  buscar, com criatividade,
                Ainda, de acordo com Dias de S,
                                                      uma alternativa para que o aluno realize o que deseja ou
                                                                                                                   31
     a tecnologia assistiva deve ser compreendida
     como resoluo de problemas funcionais,          precisa.  encontrar uma estratgia para que ele possa
     em uma perspectiva de desenvolvimento das        fazer de outro jeito.  valorizar o seu jeito de fazer e
     potencialidades humanas, valorizao de          aumentar suas capacidades de ao e interao a partir
     desejos, habilidades, expectativas positivas e   de suas habilidades.  conhecer e criar novas alternativas
                                                      para a comunicao, escrita, mobilidade, leitura,




                                                                                                                   Captulo III - Tecnologia Assistiva  TA
     da qualidade de vida, as quais incluem
     recursos de comunicao alternativa, de          brincadeiras, artes, utilizao de materiais escolares e
     acessibilidade ao computador, de atividades      pedaggicos, explorao e produo de temas atravs do
     de vida dirias, de orientao e mobilidade,     computador, etc.  envolver o aluno ativamente,
     de adequao postural, de adaptao de           desfiando-se a experimentar e conhecer, permitindo que
     veculos, rteses e prteses, entre outros.      construa individual e coletivamente novos conhecimentos.
     (Brasil, 2006, p. 18)                             retirar do aluno o papel de espectador e atribuir-lhe a
                                                      funo de ator.



N
    esta definio destacamos que a TA                         Muitas so as perguntas do professor no seu
    composta de recursos e servios. O recurso        encontro com o aluno com deficincia fsica e, dia
     o equipamento utilizado pelo aluno, que         aps dia, novos desafios surgiro:
                                                                                     Como poderei avaliar se ele no consegue                             No desenvolvimento de sistemas
                                                                                      escrever como os outros?                                   educacionais inclusivos as ajudas tcnicas
                                                                                     Meu aluno  mais lento para escrever, ler                  e a tecnologia assistiva esto inseridas no
                                                                                      e falar. Ser que acompanhar o ritmo da                   contexto da educao brasileira, dirigida 
                                                                                      turma no aprendizado?                                      promoo da incluso de todos os alunos
                                                                                     Parece que ele entende tudo, mas no fala                  na escola. Portanto, o espao escolar deve
                                                                                      e no consegue escrever. Como poderei
                                                                                                                                                 ser estruturado como aquele que oferece
                                                                                      saber o que ele quer, gosta, aprendeu ou
                                                                                                                                                 tambm as ajudas tcnicas e os servios de
                                                                                      quais so as suas dvidas? Existe alguma
                                                                                                                                                 tecnologia assistiva. (Brasil, 2006, p. 19)
                                                                                      forma alternativa de ele comunicar o que
                                                                                      deseja?
                                                                                     Todos esto utilizando a tesoura e se
                                                                                                                                              Ajudas tcnicas  o termo utilizado na
                                                                                      sentem orgulhosos por isso. Como posso
                                                                                                                                    legislao brasileira, quando trata de garantir:
                                                                                      fazer para que o meu aluno com
                                                                                      deficincia no se sinta excludo e
                                                                                      incapaz?                                                             Produtos, instrumentos e
                                                                                     O que faremos na aula de educao fsica?
32                                                                                   Ele conseguir se alimentar sozinho?
                                                                                                                                                 equipamentos ou tecnologias adaptados
                                                                                                                                                 ou especialmente projetados para
                                                                                     Quem ficar responsvel por acompanh-
                                                                                                                                                 melhorar a funcionalidade da pessoa
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                      lo no deslocamento dentro da escola?
                                                                                     Ele precisar de ajuda para ir ao banheiro?                portadora de deficincia ou com
                                                                                      Quem o auxiliar? Existe algum jeito de                    mobilidade reduzida, favorecendo a
                                                                                      ele ser mais independente?                                 autonomia pessoal, total ou assistida.
                                                                                                                                                 (art. 61 do decreto n 5.296/04)

                                                                                     Agora, podemos retomar o conceito da
                                                                           Tecnologia Assistiva e reafirmar que ela significa                 Ajudas tcnicas , portanto, sinnimo de
                                                                           "resoluo de problemas funcionais". Para                tecnologia assistiva no que diz respeito aos recursos
                                                                           implementao desta prtica (TA) no contexto             que promovem funcionalidade de pessoas com
                                                                           educacional, necessitamos de criatividade e disposio   deficincia ou com incapacidades advindas do
                                                                           de encontrarmos, junto com o aluno, alternativas         envelhecimento.
                                                                           possveis que visam vencer as barreiras que o impedem
                                                                                                                                                importante ressaltar que a legislao
                                                                           de estar includo em todos os espaos e momentos da
                                                                                                                                    brasileira garante ao cidado brasileiro com deficincia
                                                                           rotina escolar.
ajudas tcnicas, portanto o professor especializado,       disponibilizar o Servio de TA e os espaos para
sabendo desse direito do aluno, deve ajud-lo a            organizao desse servio sero as "Salas de Recursos
identificar quais so os recursos necessrios para a sua   Multifuncionais".
educao, a fim de que ele possa recorrer ao poder
pblico e obter esse benefcio.
                                                                              Salas de recursos multifuncionais
         O Decreto n 3.298 de 20 de dezembro de                    so espaos da escola onde se realiza o
1999 cita quais so os recursos garantidos s pessoas               Atendimento Educacional Especializado
com deficincia e entre eles encontramos:                           para os alunos com necessidades educacionais
                                                                    especiais, por meio de desenvolvimento de
                                                                    estratgias de aprendizagem, centradas em
                   Equipamentos, maquinarias e
                                                                    um novo fazer pedaggico que favorea a
         utenslios de trabalho especialmente
                                                                    construo de conhecimentos pelos alunos,
         desenhados ou adaptados para uso por
                                                                    subsidiando-os para que desenvolvam o
         pessoa portadora de deficincia; elementos
                                                                    currculo e participem da vida escolar.
         de mobilidade, cuidado e higiene pessoal                   (BRASIL, 2006, p. 13)
         necessrios para facilitar a autonomia e a                                                                 33
         segurana da pessoa portadora de deficincia;
         elementos especiais para facilitar a                        Nas salas de recursos multifuncionais,
         comunicao, a informao e a sinalizao         destinadas ao atendimento especializado na escola, 
         para pessoa portadora de deficincia;             que o aluno experimentar vrias opes de
         equipamentos e material pedaggico                equipamentos, at encontrar o que melhor se ajusta 




                                                                                                                    Captulo III - Tecnologia Assistiva  TA
         especial para educao, capacitao e             sua condio e necessidade. Junto com o professor
         recreao da pessoa portadora de                  especializado aprender a utilizar o recurso, tendo
         deficincia; adaptaes ambientais e outras       por objetivo usufruir ao mximo desta tecnologia.
         que garantam o acesso, a melhoria funcional       Aps identificar que o aluno tem sucesso com a
         e a autonomia pessoal.                            utilizao do recurso de TA, o professor especializado
                                                           dever providenciar que este recurso seja transferido
                                                           para a sala de aula ou permanea com o aluno, como
          Retomando o tema da implementao da
                                                           um material pessoal.
TA na escola entende-se que Atendimento Educacional
Especializado ser quele que estruturar e
                                                                                                   [...] as ajudas tcnicas e a       Outra alternativa interessante ser o estabelecimento de
                                                                                        tecnologia assistiva constituem um            contatos do professor especializado com os profissionais
                                                                                        campo de ao da educao especial que        que j atendem seu aluno em instituies de reabilitao.
                                                                                        tm por finalidade atender o que             Esses profissionais, que j conhecem o aluno, podero
                                                                                        especfico dos alunos com necessidades        compor com a escola a equipe de TA.  importante,
                                                                                        educacionais especiais, buscando recursos     tambm, que o professor especializado saiba que a
                                                                                        e estratgias que favoream seu processo      reabilitao  um direito garantido por lei (Decreto n
                                                                                        de      aprendizagem,      habilitando-os     5.296/04) a todo brasileiro com deficincia e, se seu
                                                                                        funcionalmente na realizao das tarefas      aluno no est recebendo acompanhamento nesta rea,
                                                                                        escolares.                                    poder tambm solicitar ao Estado.
                                                                                                  No processo educacional,                      No mbito da educao, o servio de TA vai
                                                                                        podero ser utilizadas nas salas de           alm do simplesmente auxiliar o aluno a fazer tarefas
                                                                                        recursos tanto a tecnologia avanada,         pretendidas. As palavras de Mantoan sobre o encontro
                                                                                        quanto os computadores e softwares            entre a tecnologia e a educao fala muito bem do
                                                                                        especficos, como tambm recursos de          papel do educador e sua funo primordial junto ao
34                                                                                      baixa tecnologia, que podem ser obtidos       aluno com deficincia:
                                                                                        ou confeccionados artesanalmente pelo
                                                                                        professor, a partir de materiais que fazem
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                                                                                             O desenvolvimento de projetos
                                                                                        parte do cotidiano escolar. (BRASIL,
                                                                                                                                                   e estudos que resultam em aplicaes de
                                                                                        2006, p. 19)
                                                                                                                                                   natureza reabilitacional so, no geral,
                                                                                                                                                   centrados em situaes locais e tratam de
                                                                                                                                                   incapacidades especficas. Servem para
                                                                                      Os servios de TA so geralmente de
                                                                                                                                                   compensar dificuldades de adaptao,
                                                                           caracterstica multidisciplinar e devem envolver
                                                                                                                                                   cobrindo dficits de viso, audio,
                                                                           profundamente o usurio da tecnologia e sua famlia,
                                                                                                                                                   mobilidade, compreenso. Assim sendo,
                                                                           bem como os profissionais de vrias reas, j envolvidos
                                                                                                                                                   tais aplicaes, na maioria das vezes,
                                                                           no atendimento deste aluno. Outros profissionais como                   conseguem reduzir as incapacidades,
                                                                           os      fonoaudilogos,     terapeutas    ocupacionais,                 atenuar os dficits: Fazem falar, andar,
                                                                           fisioterapeutas e psiclogos podero auxiliar os                        ouvir, ver, aprender. Mas tudo isso s
                                                                           professores na busca da resoluo de dificuldades do                    no basta. O que  o falar sem o ensejo e
                                                                           aluno com deficincia. Convnios com secretaria da                      o desejo de nos comunicarmos uns com
                                                                           sade e integrao das equipes sempre sero bem-vindos.                 os outros? O que  o andar se no
            podemos traar nossos prprios
            caminhos, para buscar o que desejamos,
            para explorar o mundo que nos cerca? O
            que  o aprender sem uma viso crtica,
            sem viver a aventura fantstica da
            construo do conhecimento? E criar,
            aplicar o que sabemos, sem as amarras
            dos treinos e dos condicionamentos?
                     Da a necessidade de um
            encontro da tecnologia com a educao,
            entre duas reas que se propem a integrar
            seus propsitos e conhecimentos,
            buscando complementos uma na outra.
            (MANTOAN, mimeo)



                                                                                                                    35
     Avaliao e Implementao da TA


         Tendo agora o entendimento conceitual da
TA e sua importncia na incluso escolar de alunos




                                                                                                                    Captulo III - Tecnologia Assistiva  TA
com deficincia, sugerimos uma reflexo sobre um
Processo de Avaliao Bsica, proposto pelo Center
on Disabilities da California State University de
Northridge (2006), que nos ajuda a organizar os
passos necessrios, desde o conhecimento do aluno,
a implementao da tecnologia assistiva e seguimento                Devemos conhecer o aluno, sua histria, suas
para observao dos benefcios que a tecnologia traz     necessidades e desejos, bem como identificar quais so
ao aluno ou a verificao da necessidade de              as necessidades do contexto escolar, incluindo seu
atualizao do recurso proposto. Neste protocolo         professor, seus colegas, os desafios curriculares e as
de avaliao bsica para implementao da TA so         tarefas exigidas no mbito coletivo da sala de aula e as
propostos 10 passos:                                     possveis barreiras encontradas que lhe impedem o
                                                         acesso aos espaos da escola ou ao conhecimento.
                                                                                     A partir desse levantamento, precisamos                   A equipe de TA dever seguir o aluno e
                                                                           estabelecer metas a atingir e definir objetivos que,      acompanhar o seu desenvolvimento no uso da
                                                                           como equipe, pretendemos alcanar, para atender s        tecnologia. Modificaes podem ser necessrias, assim
                                                                           expectativas do aluno e do contexto escolar.
                                                                                                                                     como novos desafios funcionais aparecero dia a dia,
                                                                                    Vamos observar o aluno e esta avaliao          trazendo novos objetivos para interveno destes
                                                                           servir essencialmente para pesquisarmos suas             profissionais.
                                                                           habilidades. Em TA aproveitamos aquilo que o aluno
                                                                           consegue fazer e ampliamos esta ao atravs da                     Durante todo o processo de avaliao
                                                                           introduo de um recurso.                                 bsica, deveremos promover e avaliar os mecanismos
                                                                                    Conhecendo necessidades e habilidades do         existentes para o fortalecimento da equipe que atua
                                                                           aluno e tendo objetivos claros a atingir, pesquisamos     no servio de TA. Neste ponto, valoriza-se a
                                                                           sobre os recursos disponveis para aquisio ou           organizao do servio implementado, questes de
                                                                           desenvolvemos um projeto para confeco de um             liderana, trocas efetivas de experincias, objetividade
                                                                           recurso personalizado que atenda aos nossos objetivos.    nas aes e resultados obtidos pela equipe. Este item
                                                                                    O aluno precisar de um tempo para               perpassa todos os outros e a ao interdisciplinar,
                                                                           experimentar, aprender e ele mesmo definir se o           que envolve tambm o aluno e sua famlia, 
36                                                                         resultado vai ao encontro de suas expectativas e          fundamental para que se tenha um bom resultado na
                                                                           necessidades.                                             utilizao da TA.
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                     Confirmada a eficcia do recurso proposto,
                                                                           devemos fornec-lo ao aluno ou orient-lo para a
                                                                           aquisio. Todo o projeto de TA encontra sentido se
                                                                           o aluno, ao sair da escola, leva consigo o recurso que                   Modalidades da TA
                                                                           lhe garante maior habilidade.  importante
                                                                           entendermos que a TA  um recurso do usurio e no
                                                                           pode ficar restrita ao espao do atendimento                        A TA se organiza em modalidades ou
                                                                           especializado. A implementao da TA se d, de fato,      especialidades e essa forma de classificao varia
                                                                           quando o recurso sai com o aluno e fica ao seu servio,   conforme diferentes autores ou instituies que
                                                                           em todos os espaos, onde for til. A equipe de TA        trabalham com a TA. A organizao por modalidades
                                                                           dever conhecer fontes de financiamento e propor         contribui para o desenvolvimento de pesquisas,
                                                                           escola a aquisio dos recursos que venham atender s     recursos, especializaes profissionais e organizao
                                                                           necessidades de seus alunos.                              de servios.
        Podemos citar como modalidades:                material pedaggico confeccionado em relevo, os
                                                       programas de computador que fazem o retorno
                                                       auditivo, tambm so TA. Para o aluno surdo, o
         Auxlios para a vida diria e vida           material especificamente produzido com referencial
          prtica.                                     grfico visual e que procura traduzir o que 
         Comunicao          Aumentativa         e   comumente escutado, ou a campainha que  substituda
          Alternativa.                                 por sinalizao visual etc., tambm  TA. Para o aluno
         Recursos    de       acessibilidade    ao    com dificuldades de aprender a ler e a escrever,
          computador.                                  podemos construir ou disponibilizar recursos e
                                                       materiais especiais com apoio de smbolos grficos
         Adequao Postural (posicionamento           junto  escrita. Para esse aluno, o computador, com
          para funo).                                software de retorno auditivo, auxiliar a explorar mais
         Auxlios de mobilidade.                      facilmente os contedos de textos e tudo isso  TA.
         Sistemas de controle de ambiente.
         Projetos        arquitetnicos        para                                                             37
          acessibilidade.
         Recursos para cegos ou para pessoas com
          viso subnormal.
         Recursos para surdos ou pessoas com




                                                                                                                 Captulo III - Tecnologia Assistiva  TA
          dficits auditivos.
         Adaptaes em veculos.


          Como este material est voltado
especificamente  incluso do aluno com deficincia
fsica, aprofundaremos somente algumas dessas
modalidades.  importante que, a partir do
entendimento conceitual, o professor que trabalha
com alunos cegos saiba que o livro em braile, o
CAPTULO IV
   Auxlio em Atividades de Vida Diria  Material
           Escolar e Pedaggico Adaptado
                                                                                              Rita Bersch
                                                                                       Rosngela Machado




E
        xiste uma rea da TA que se ocupa com o                      Quando falamos em tecnologia assistiva,
        desenvolvimento de recursos que favorecem          significa que desejamos resolver com criatividade os
        funes desempenhadas pelas pessoas com            problemas funcionais de pessoas com deficincia e
deficincia em seu cotidiano, buscando que as realizem     nos remetemos a encontrar alternativas para que as
com o melhor desempenho e independncia possvel.          mesmas tarefas do cotidiano sejam realizadas de outro
                                                           modo. Para isso podemos introduzir um recurso que
          Desde o amanhecer at o fim de nosso dia         favorea o desempenho desta atividade pretendida ou
executamos muitas funes que fazem parte de nossa
rotina: acordamos, fazemos a nossa higiene, vestimos
                                                           podemos modificar a atividade, para que possa ser       41
                                                           concluda de outra forma.
a roupa, preparamos nosso alimento, nos alimentamos
e samos de nossas casas. Na escola ou trabalho uma
nova lista de atividades ou tarefas se apresenta e, sem
nos darmos conta, realizamos uma aps a outra at o




                                                                                                                   Captulo IV - Auxlio em atividades de vida diria -
final do nosso dia, quando retornamos para casa e            1. Resolvendo com criatividade




                                                                                                                        Material escolar e pedaggico adaptado
vamos descansar.                                                  problemas funcionais
          Um aluno com deficincia fsica pode ter
dificuldade em realizar muitas destas tarefas rotineiras
na escola e por isso depende de ajuda e cuidados de
outra pessoa. No participando ativamente das                        A partir de agora descrevemos vrias
atividades escolares, ele fica em desvantagem, pois no    situaes reais que fazem parte da rotina escolar e
tem oportunidades de se desafiar e criar como seus         apresentamos alternativas e recursos que foram
colegas.  muito freqente encontrarmos alunos que         aplicados nestes casos. Esperamos que este material
assistem seus colegas e no podem ser atores do seu        sirva como fonte inspiradora para tantos outros
processo de descoberta e aquisio de conhecimento.
                                                           recursos e alternativas que ainda surgiro.
                                                                                     Vejamos alguns exemplos:


                                                                                                   Recorte

                                                                                      Na educao infantil todas as crianas esto
                                                                           se desafiando no uso da tesoura. Alguns alunos
                                                                           possuem maior facilidade, outros ainda mostram
                                                                           dificuldades, mas todos esto orgulhosos de seus
                                                                           feitos. Nesse caso, o menino com deficincia fsica       Figura 2  Cortando com a tesoura adaptada.
                                                                           no poder participar da atividade de recorte e
                                                                           colagem, a menos que consigamos uma tesoura
                                                                           diferente para que ele possa manej-la com a habilidade
                                                                           que possui (fechar a mo ou bater a mo). Encontramos
                                                                           ou construmos uma tesoura adaptada para nosso
                                                                           aluno, mas ele ainda no consegue manejar
                                                                           simultaneamente a tesoura e o papel. Nesse caso,
42                                                                         mudamos a atividade, que de individual passa a ser
                                                                           coletiva: o grupo de alunos trabalha junto e um colega
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                           segura o papel, o outro usa a tesoura, o outro passa a
                                                                           cola e juntos fazem a colagem.
                                                                                                                                     Figura 3  Tesoura adaptada em suporte fixo.




                                                                           Figura 1  Tesoura adaptada com arame revestido.          Figura 4  Cortando com a tesoura em suporte fixo.
                                                             mo, o papel no qual vai desenhar. Esta tarefa pode ser
                                                             muito difcil para algumas crianas e podemos pensar em
                                                             alternativas para lhes auxiliar.
                                                                        A primeira idia seria a de fixar a folha com fita
                                                             adesiva ou em uma prancheta. Precisamos verificar qual a
                                                             habilidade de preenso da mo deste aluno e escolher uma
                                                             alternativa como um engrossador para o lpis ou pincel.
                                                             As fotos que seguem ilustram algumas alternativas
                                                             possveis:
                                                                       A "aranha-mola"  um arame revestido, onde os
                                                             dedos e a caneta so encaixados. (www.expansao.com)
                                                                       (Figura 6)
Fugira 5  Tesoura eltrica ativada por acionador.



           A tesoura mola exige somente o movimento
de fechar a mo (figuras 1 e 2) (www.expansao.com);                                                                          43
a tesoura mola sobre suporte fixo, exige somente o
movimento de bater a mo (figuras 3 e 4). A tesoura
eltrica  controlada por acionadores (figura.5) (www.
ablenetinc.com e www.clik.com.br).




                                                                                                                             Captulo IV - Auxlio em atividades de vida diria -
                                                                                                                                  Material escolar e pedaggico adaptado
                 Desenho e Pintura
                                                             Figura 6  Aranha-mola.

          Outras atividades muito freqente na escola so
o desenho e a pintura. Atravs dele o aluno representa seu              Os movimentos involuntrios podem ser
entendimento, seus sentimentos etc. Nesse caso podemos       inibidos por uma pulseira imantada. Na caneta, um
enfrentar o problema de manejo do lpis, giz de cera ou      engrossador de borracha tambm facilita a preenso e
pincel, que exigem uma habilidade motora fina. Alm de       escrita. (Figura 7) (www.expansao.com).
manusear estes instrumentos o aluno fixa, com a outra
                                                                           Figura 7  Pulseira imantada.                           Figura 9 - rtese.



                                                                                     Um engrossador de lpis pode ser feito com              Vrias adaptaes podem ser confeccionadas,
44                                                                         espuma macia (Figura 8) e rteses podem melhorar a      utilizando-se materiais que originalmente tinham outra
                                                                           posio da mo do aluno e ainda conter um dispositivo   funo. Uma bola de borracha encontrada em farmcias
                                                                                                                                   e que faz parte do "sugador de leite" pode tornar-se um
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                           para fixar o lpis. (Figura 9) (www.expansao.com).
                                                                                                                                   recurso timo de adaptao do lpis. (Figura 10)




                                                                           Figura 8  Engrossador de espuma.                       Figura 10  Adaptao de borracha.
          Podemos confeccionar engrossadores de
lpis, pincis, giz de cera, rolo para pintura e tubo de
cola colorida, utilizando uma espuma encontrada em
ferragens e que, originalmente, serve para o
revestimento de encanamento de gua quente. Esta
espuma  vendida em metro e a encontramos em
vrios dimetros. (Figura 11)




                                                           Figura 12  Ponteira de cabea.
                                                                                                                     45
                                                                    Na ponteira de boca a ponta intraoral deve
                                                           ter o formato em "U". Dessa forma, garantir maior
                                                           fixao pela ao de toda a arcada dentria.




                                                                                                                     Captulo IV - Auxlio em atividades de vida diria -
                                                                    Poderemos tambm experimentar recursos




                                                                                                                          Material escolar e pedaggico adaptado
Figura 11  Engrossadores de espuma.
                                                           que sejam utilizados com os ps, com ou sem acessrios
                                                           de ajuda para fixar o lpis, pincel ou outro acessrio.
          No caso de crianas sem possibilidade de usar
as mos, podemos usar uma ponteira para a boca ou
                                                                              Apontar o Lpis
cabea e com ela fazer, alm da digitao, o desenho, a
pintura, virar a pgina, entre outros. (Figura 12)
                                                                    Durante a escrita ou desenho  comum
                                                           quebrar a ponta do lpis.
                                                                    Ser que  possvel meu aluno fazer a ponta
                                                           de seu lpis se consegue manejar bem somente uma
                                                                           das mos? Foi essa pergunta que inspirou a criao de
                                                                           um apontador adaptado: um apontador comum foi
                                                                           colado sobre um taco de madeira e, dessa forma, a
                                                                           mo que apresenta maior dificuldade consegue fixar o
                                                                           taco enquanto a outra maneja o lpis dentro do
                                                                           apontador. (Figura 13)




                                                                                                                                      Figura 14  Plano inclinado


                                                                                                                                               Para fixar o livro sobre a mesa poderemos
                                                                                                                                      colocar velcro na contra capa do livro e na mesa.
46                                                                                                  Figura 13  Apontador adaptado.   Desta forma, mesmo se o aluno utilizar muita fora
                                                                                                                                      ou tiver movimentos involuntrios, o livro no se
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                                                                      deslocar durante a troca da pgina.
                                                                                                                                                Tambm podemos usar separadores de pginas
                                                                                                                                      colando feltro adesivo (normalmente colado sob os ps
                                                                                                                                      de cadeiras) entre uma pgina e outra. (Figura 15)
                                                                                           Manusear o Livro

                                                                                     Na escola muitos livros so utilizados e isso
                                                                           exige habilidades. Buscando resolver as dificuldades que
                                                                           surgem nessa tarefa, descrevemos algumas adaptaes
                                                                           que foram sugeridas para alunos com deficincia fsica.
                                                                                    Para melhor visualizar o texto e as gravuras,
                                                                           em alguns casos,  recomendvel colocar o livro na
                                                                           altura dos olhos do aluno, com o auxlio do plano
                                                                                                                                      Figura 15  Separador de pginas de feltro ou espuma.
                                                                           inclinado. (Figura 14)
          Outra idia que favorece alguns alunos  de                   Jogo de "quebra-cabea": confeccionado
colar um pequeno velcro em cada p de pgina do livro          com papelo, rtulos ou figuras, papel contact e velcro
e confeccionar uma luva de dedo, com velcro oposto             fixado na base e no verso das peas. (Figura 17)
na ponta. O contato do dedo da luva, com o velcro da
folha, facilitar a ao de virar a pgina. (Figura 16)




                                                                                                                         47




                                                                                                                         Captulo IV - Auxlio em atividades de vida diria -
                                                                                                                              Material escolar e pedaggico adaptado
Figura 16  Auxlio para virar a pgina do livro com velcro.



                    Jogos Variados


          Jogos utilizados em sala de aula tambm
podem sofrer adaptaes para que o aluno consiga
                                                               Figura 17  Quebra-cabeas com velcro.
participar com autonomia.
                                                                                     Jogo das cores: jogos confeccionados com                   Jogos de matemtica: tampinhas, cartes
                                                                           tampinhas coloridas, caixa de papelo, papel contact,     plastificados, velcro e desafios matemticos. (Figura 19)
                                                                           velcro, folhas coloridas e latas revestidas de cores. O
                                                                           aluno brinca fazendo a correspondncia das cores e
                                                                           depois pode explorar outros conceitos como
                                                                           quantidades. (Figura 18)




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Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                                                                     Figura 19  Jogos matemticos.




                                                                                                                                               Jogo de cartas: foi construda uma base para
                                                                                                                                     fixar as cartas, possibilitando jogar com apenas uma
                                                                           Figura 18  Brincando com as cores.                       mo. (Figura 20)
Figura 20  Suporte para cartas.



         Jogos que estimulam a leitura e escrita:
confeccionados com cubos de madeira, letras em EVA
(lmina emborrachada), tampinha de leite, figuras
impressas, papelo, contact e velcro. (Figuras 21 e 22)
                                                                                                       49




                                                                                                       Captulo IV - Auxlio em atividades de vida diria -
                                                                                                            Material escolar e pedaggico adaptado
Figura 21  Jogo que estimula a leitura.                  Figura 22  Jogos que estimulam a escrita.
                                                                                                  Escrita

                                                                                     No caso de o aluno se cansar muito ou no
                                                                           conseguir escrever utilizando o lpis ou a caneta, mesmo
                                                                           adaptados, poderemos pensar em outras solues para a
                                                                           escrita:
                                                                                     Escrever usando letras em EVA (lminas
                                                                           emborrachadas), em cubos de madeira, em cartes de
                                                                           papelo, coladas sobre tampinhas etc. Ao confeccionar
                                                                           esse material devemos estar atentos  habilidade de
                                                                           preenso do aluno e tambm ao seu controle motor.
                                                                           Ser muito til que a base que recebe as letras tenha
                                                                           uma superfcie de aderncia (velcro ou suporte de
                                                                           encaixe). Dessa forma, mesmo que o aluno tenha
                                                                           tremores ou movimentos involuntrios, as letras se
50                                                                         fixam e ele consegue com mais facilidade compor a
                                                                           palavra ou o texto que deseja. (Figura 23)
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                                                                      Figura 23  Escrita Alternativa.



                                                                                                                                               Prancha com letras:  uma folha de papel
                                                                                                                                      contendo todo o alfabeto. O aluno aponta ou olha
                                                                                                                                      para a letra que deseja escrever e o colega, ou seu
                                                                                                                                      acompanhante, vai compondo o texto. (Figura 24)
                                                            afirmativo, que pode ser um som ou um gesto. Esse
                                                            segundo sistema de seleo  tambm denominado de
                                                            varredura.



                                                                       Mquina de escrever convencional ou
                                                                        eltrica. Uma mquina de escrever,
                                                                        especialmente a mquina eltrica, que
                                                                        exige menos fora, pode ser muito til
                                                                        para um aluno em sala de aula.

                                                                       AlphaSmart 3.000. Trata-se de um
                                                                        teclado porttil chamado AlphaSmart,
                                                                        que arquiva os textos digitados que
                                                                        podero ser descarregados posteriormente
                                                                        em um computador ou impressora.
                                                                        (www.alphasmart.com e www.clik.com.br)     51
                                                                        (Figura 25)




                                                                                                                   Captulo IV - Auxlio em atividades de vida diria -
                                                                                                                        Material escolar e pedaggico adaptado
Figura 24  Prancha de letras.



          O processo de seleo da letra pode ser feito
pelo aluno de forma direta ou indireta. Na forma direta
o prprio aluno consegue levar o dedo, o olhar, ou
outra parte do corpo sobre a letra que deseja selecionar.
Na forma indireta  o professor ou o auxiliar, que passa
a mo sobre a prancha de letras e quando ele toca na
letra que o aluno deseja escrever, este emite um sinal      Figura 25  Alphasmart 3.000
                                                                                     O computador, com recursos de                   com autonomia. Atravs do software Escrevendo com
                                                                           acessibilidade, pode ser tambm uma alternativa para      Smbolos (www.clik.com.br) o professor especializado
                                                                           o aluno que necessita de escrita rpida. (www.clik.       poder produzir, para o aluno, os textos apoiados por
                                                                           com.br). (Figura 26)                                      smbolos. (Figuras 27)




52
                                                                                                                                     Figura 27  Texto produzido com o software "Escrevendo
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                                                                           Figura 26  Teclado com recursos de acessibilidade.
                                                                                                                                     com Smbolos".


                                                                                                    Leitura


                                                                                      Alguns alunos apresentam dificuldades em           2. Rompendo barreiras para o
                                                                           acompanhar a turma e seu ritmo para aprender a                       Aprendizado
                                                                           leitura  diferenciado. Nesse caso, os textos apoiados
                                                                           com smbolos facilitaro a competncia no
                                                                                                                                               Muitas so as aes da rotina escolar e o
                                                                           entendimento do texto. O aluno se desafiar a ler e
                                                                                                                                     professor da sala de aula precisa ficar atento e avaliar
                                                                           ter mais sucesso, o que favorecer sua auto-estima.
                                                                                                                                     o nvel de participao do aluno. Junto com seu
                                                                           Imerso no contexto de escrita e smbolos, ele passa a
                                                                                                                                     aluno, ele deve fazer chegar ao professor especializado
                                                                           fazer leitura global e tem acesso a novos conhecimentos
                                                                                                                                     todas as necessidades de apoio para que, no espao do
atendimento especializado, sejam desenvolvidos os                   Na prtica, o desenvolvimento de recursos
recursos e as estratgias favorveis, no sentido de       para a aprendizagem dos alunos com deficincia leva
qualificar a interao do aluno com o grupo e             os docentes a desenvolver recursos para todos. Todos
promover acesso ao conhecimento escolar.                  os alunos gostam e se desafiam diante de materiais
         A equipe de profissionais da reabilitao        ricos em estmulos e a aula se torna mais atraente,
tambm poder colaborar buscando encontrar o              significativa e todos se beneficiam.
recurso de TA que melhor corresponda  necessidade                  A tecnologia assistiva, na perspectiva de
do aluno.                                                 incluso escolar, no deve se voltar unicamente a
         O tema relativo ao material escolar e            promover uma habilidade no aluno, fazendo com que
pedaggico adaptado deve despertar no professor e no      ele realize tarefas como as de seus colegas. A TA na
professor especializado a ateno e a criatividade para   educao ser o meio pelo qual esse aluno possa fazer
resoluo de possveis barreiras que impedem o acesso     do seu jeito e assim ele se tornar protagonista de sua
ao aprendizado.                                           histria, ativo no seu processo de desenvolvimento e
                                                          aquisio de conhecimentos.

                                                                                                                    53
                       A iniciativa de implementao
            de salas de recursos multifuncionais nas
            escolas pblicas de ensino regular responde
            aos objetivos de uma prtica educacional




                                                                                                                    Captulo IV - Auxlio em atividades de vida diria -
            inclusiva que organiza servios para o




                                                                                                                         Material escolar e pedaggico adaptado
            Atendimento Educacional Especializado,
            disponibiliza recursos e promove
            atividades para desenvolver o potencial de
            todos os alunos, a sua participao e
            aprendizagem. Essa ao possibilita o
            apoio aos educadores no exerccio da
            funo docente, a partir da compreenso
            de atuao multidisciplinar e do trabalho
            colaborativo realizado entre professores
            das classes comuns e das salas de recursos.
            (Brasil, 2006, p. 12)
CAPTULO V
    Comunicao Aumentativa e Alternativa  CAA
                                                                                          Carolina R. Schirmer
                                                                                                   Rita Bersch




           1. Introduo  CAA                                requerem interveno, utilizando modalidades alternativas
                                                              que compensem a fala inexistente ou limitada. Porm no
                                                               o que ocorre com a maioria das crianas com alteraes



D
           esde o momento em que o ser humano diz suas        neuromotoras, onde a alterao de linguagem  uma das
           primeiras palavras, a linguagem facilita o         principais caractersticas.
           encontro de desejos, necessidades, interao                  O trabalho com os recursos de tecnologia
social, acesso s informaes e conhecimento sobre o          assistiva, em especial a comunicao aumentativa e
                                                              alternativa, ainda  pouco divulgado no Brasil e parece
complexo mundo em que vive. Existem vrias razes pelas
                                                              existir, por parte dos profissionais e familiares,
                                                                                                                              57
quais as habilidades lingsticas de um sujeito podem estar
inadequadas: um acidente, uma doena ou um problema           desconhecimento e insegurana a respeito de sua
                                                              introduo e uso.  muito comum encontrarmos um
em seu desenvolvimento. Qualquer que seja a causa, a
                                                              grande nmero de alunos com necessidades




                                                                                                                              Captulo V - Comunicao Aumentativa e Alternativa  CAA
situao  sempre muito frustrante e limitante, tanto para
                                                              educacionais especiais, em especial os paralisados
o sujeito quanto para as pessoas ao seu redor. Sabemos que    cerebrais, que so falantes no funcionais ou no-
a comunicao  o agente de ligao entre idias, sensaes   falantes1 e isso justifica a necessidade de aprofundarmos
e o meio, permitindo uma melhor interao entre os            o conhecimento sobre a Comunicao Aumentativa e
sujeitos, bem como uma mudana constante em nossa             Alternativa, vislumbrando sua implementao no
aprendizagem, pelas trocas que nos proporciona.               Atendimento Educacional Especializado.
           Nos ltimos 35 anos, indivduos impossibilitados
de se expressar oralmente de maneira adequada, ou seja,
pela fala, vm tendo a oportunidade de utilizar recursos      1 Pessoas so consideradas no-falantes em duas situaes:
alternativos para que a sua comunicao se efetive.             quando apresentam um comprometimento severo na fala por
                                                                problemas fsicos, neuromusculares, cognitivos ou dficits
           A capacidade de muitas crianas com dificuldades     emocionais e no possuem prejuzos na audio; quando,
significantes no desenvolvimento, na aquisio e no uso de      no presente tempo usam fala independente como primeira
linguagem; est comprometida pelas suas dificuldades na         forma de comunicao, porm no so compreendidos por
                                                                outras pessoas que no so de convvio muito prximo. Nesse
produo da fala. Para desenvolver a linguagem, essas           podemos incluir pessoas com prejuzos sensoriais.
                                                                                  2. O que  a Comunicao                                               Portanto a CAA  considerada uma rea da
                                                                                                                                              prtica clnica e educacional que se prope a compensar
                                                                                  Aumentativa e Alternativa
                                                                                                                                              (temporria ou permanentemente) a incapacidade ou
                                                                                                                                              deficincia do sujeito com distrbio severo de
                                                                                                                                              comunicao. Tem como objetivo valorizar todos os
                                                                                                                                              sinais expressivos do sujeito, ordenando-os para o
                                                                                                     A Comunicao Aumentativa e
                                                                                          Alternativa  CAA2  uma das reas da TA            estabelecimento de uma comunicao rpida e
                                                                                          que atende pessoas sem fala ou escrita              eficiente. (SCHIRMER, 2004, p. 46)
                                                                                          funcional ou em defasagem entre sua                           Dizemos que a comunicao  aumentativa
                                                                                          necessidade comunicativa e sua habilidade           quando o sujeito utiliza um outro meio de
                                                                                          em falar e/ou escrever. Busca, ento, atravs       comunicao para complementar ou compensar
                                                                                          da valorizao de todas as formas expressivas       deficincias que a fala apresenta, mas sem substitu-la
                                                                                          do sujeito e da construo de recursos
                                                                                                                                              totalmente. E que comunicao  alternativa quando
                                                                                          prprios desta metodologia, construir e
                                                                                                                                              utiliza outro meio para se comunicar ao invs da fala,
                                                                                          ampliar sua via de expresso e compreenso.
                                                                                                                                              devido  impossibilidade de articular ou produzir
                                                                                          Recursos como as pranchas de comunicao,
58                                                                                        construdas com simbologia grfica                  sons      adequadamente.         (TETZCHNER           e
                                                                                          (desenhos representativos de idias), letras        MARTINSEN,1992, p. 22)
                                                                                          ou palavras escritas, so utilizados pelo
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                                                                                        O objetivo da CAA  tornar o sujeito com
                                                                                          usurio da CAA para expressar seus                  distrbio de comunicao o mais independente e
                                                                                          questionamentos, desejos, sentimentos e             competente possvel em suas situaes comunicativas,
                                                                                          entendimentos. A alta tecnologia nos                podendo assim ampliar suas oportunidades de
                                                                                          permite tambm a utilizao de vocalizadores
                                                                                                                                              interao com os outros, na escola e na comunidade
                                                                                          (pranchas com produo de voz) ou do
                                                                                                                                              em geral. (SCHIRMER, 2004, p. 46)
                                                                                          computador, com softwares especficos,
                                                                                          garantindo grande eficincia na funo                       Uma aplicao efetiva de CAA envolve
                                                                                          comunicativa. Dessa forma, o aluno com              geralmente uma abordagem multimodal. Ela pode
                                                                                          deficincia, passa de uma situao de               empregar a combinao de diferentes modos de ao,
                                                                                          passividade para outra, a de ator ou de             expresses faciais e auxlios de comunicao.
                                                                                          sujeito do seu processo de desenvolvimento.
                                                                                                                                                        As informaes contidas neste captulo
                                                                                          (BERSCH e SCHIRMER, 2005, p. 89)
                                                                                                                                              constituem uma introduo ao campo da CAA. Esto
                                                                           2 Tambm encontramos na literatura os termos comunicao           includas informaes e sugestes para o uso eficaz de
                                                                             ampliada e alternativa, comunicao suplementar e alternativa.
simbologia grfica em pranchas de comunicao e                                    H vrios motivos pelos quais a
outros materiais. Apesar do foco ser dirigido a crianas                 comunicao alternativa pode realmente
com distrbios severos de comunicao, esta                              melhorar as chances de uma pessoa
abordagem e materiais tambm podem ser modificados                       desenvolver as habilidades de fala.
e utilizados com adolescentes e adultos.                                 Quando a fala  experimentada ou
                                                                         trabalhada isoladamente geralmente
                                                                         produz tenso. Para muitos indivduos
                                                                         essa tenso diminui as chances de fala
                                                                         compreensvel, e o resultado  o aumento
3. Quem pode se beneficiar do uso                                        da sua frustrao. Quando o indivduo
           de CAA?                                                       usa o auxlio de CAA, sua fala torna-se
                                                                         mais relaxada e, por isso, melhor sucedida.
                                                                         (JOHNSON, 1998, p. 2).
         A CAA destina-se a sujeitos de todas as
idades, que no possuem fala e ou escrita funcional
devido a disfunes variadas como, por exemplo:                      Por exemplo, se pensarmos em um aluno
paralisia cerebral, deficincia mental, autismo,           com paralisia cerebral3 do tipo espstica4 com uma
acidente     vascular     cerebral,   traumatismo
                                                           disartria moderada5 em uma sala de aula. Quando a              59
                                                           professora faz algum questionamento  turma e este
cranioenceflico,   traumatismo     raquiomedular,
                                                           aluno tenta responder, podemos ter uma fala, nesse
doenas neuromotoras (como, por exemplo,  esclerose
                                                           momento, ininteligvel. Essa  uma situao de grande




                                                                                                                          Captulo V - Comunicao Aumentativa e Alternativa  CAA
lateral amiotrfica), apraxia oral e outros
                                                           tenso, que provavelmente elevar ainda mais seu
(TETZCHNER e MARTINSEN,1992, p. 23).                       tnus muscular, deixando-o rgido. Se utilizarmos um
          No passado pensava-se que um indivduo           recurso de apoio, como uma prancha com letras, onde
no era candidato a um auxlio de comunicao              o aluno possa escrever ao menos as primeiras letras do
porque j apresentava alguma fala ou porque poderia        que est tentando falar, teremos uma comunicao
falar no futuro. Temia-se que se a pessoa aprendesse       mais eficiente e menos angustiante para todos.
alguma forma alternativa de comunicao, a motivao
                                                           3 Leso cerebral em rea motora, no evolutiva e que afeta a
e as oportunidades para aprender a falar seriam
                                                             criana no perodo que vai desde a concepo at o final
diminudas. Hoje se sabe que acontece exatamente o           da primeira infncia.
contrrio, os sujeitos que usam a CAA e que                4 Com tnus muscular hipertnico que dificulta a execuo
desenvolvem a fala tornam-se falantes mais                   e coordenao dos movimentos.
competentes.                                               5 Dificuldade na articulao e conseqentemente na
                                                             pronncia das palavras.
                                                                                     Tambm temos que pensar que as crianas                     comunicao existentes (fala reduzida e pouco
                                                                           que necessitam de CAA tm alto risco de apresentar                    inteligvel) ou substituem a fala.
                                                                           atraso no desenvolvimento da linguagem e necessitam
                                                                           estmulos de linguagem de todos os modos possveis.
                                                                           Quando a comunicao se torna realmente funcional,
                                                                           as habilidades aprendidas na linguagem so transferidas
                                                                           (como por exemplo, a extenso lexical-vocabulrio ou a                 5. O que so os recursos de CAA?
                                                                           organizao sinttica-organizao da frase).
                                                                                      Concluindo, podemos afirmar que a CAA
                                                                           favorecer pessoas de todas as idades e que necessitam
                                                                           de recursos e/ou estratgias que ampliem ou                                     Os sistemas de CAA podem ser organizados
                                                                           desenvolvam sua habilidade de comunicao. A                          em recursos que no necessitam auxlio externo (sinais
                                                                           introduo da CAA deve acontecer sempre que houver                    manuais, gestos, apontar, piscar de olhos, sorrir,
                                                                           um distanciamento entre a capacidade compreensiva e                   vocalizar) e os que necessitam auxlio externo (objeto
                                                                           expressiva de um sujeito ou quando a possibilidade de                 real, miniatura, retrato, smbolo grfico, letras e palavras,
                                                                           se fazer entender  menor do que a de seus pares (pessoas
                                                                                                                                                 dispostos em recursos de baixa e alta tecnologia).
                                                                           da mesma idade), diminuindo assim as oportunidades
                                                                           de interao e relacionamentos deste indivduo.                                 O usurio da CAA sinalizar a mensagem que
60                                                                                                                                               deseja expressar, apontando para o recurso externo que
                                                                                                                                                 ser organizado para ele (pranchas com smbolos,
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                                                                                 objetos, miniaturas), alm de utilizar seus gestos,
                                                                             4. Sistemas de Comunicao                                          vocalizaes e demais expresses particulares.
                                                                           Aumentativa e Alternativa  SCAA
                                                                                                                                                           A CAA  o uso integrado de todos os recursos
                                                                                                                                                 de comunicao que so organizados de forma
                                                                                                                                                 personalizada. Por isso  chamado de sistema
                                                                                     Chamamos de SCAA os recursos6, as                           multimodal.9
                                                                           estratgias7 e as tcnicas8 que apiam modos de
                                                                                                                                                    um smbolo, que est em uma prancha de comunicao, para
                                                                                                                                                    assim expressar a mensagem que ele representa (apontamento
                                                                           6 So exemplos de recursos as pranchas de comunicao, os cartes        direto). Outra tcnica seria a de observar o parceiro de
                                                                             com fotos ou smbolos grficos, os objetos concretos que sero         comunicao que aponta os smbolos da prancha, um aps o
                                                                             apontados para referir uma mensagem a ser comunicada etc.              outro, e o usurio da CAA sinaliza com um gesto ou som,
                                                                           7 Uma estratgia de comunicao pode ser a sinalizao do "sim"          quando o smbolo que deseja expressar for selecionado pelo
                                                                             e do "no" atravs de gestos ou expresses faciais e a postura do      parceiro (tcnica de varredura).
                                                                             parceiro de comunicao, que dever fazer perguntas objetivas       9 Sistema multimodal  aquele que utiliza e valoriza todas
                                                                             que valorizem estas respostas.                                        formas expressivas do usurio como os gestos, expresso
                                                                           8 Uma tcnica de comunicao pode ser apontar diretamente               facial, olhar, vocalizar, apontar, entre outras possibilidades.
         Alguns exemplos de recursos de baixa                     comunicao com fotografias recortadas
tecnologia esto abaixo citados:                                  de revistas e com rtulos de produtos.
                                                                Smbolos grficos: h uma srie de
                                                                 bibliotecas de smbolos grficos que
        Objetos reais: o aluno poder fazer
                                                                 foram desenvolvidos para facilitar a
         escolhas "apontando" para objetos reais,
                                                                 comunicao e que com eles so
         como a roupa que deseja vestir, o material
                                                                 construdas as pranchas e cartes de
         escolar que deseja utilizar, o alimento
                                                                 comunicao.
         que escolher ou o produto que deseja
         comprar na prateleira do supermercado.                   Os smbolos so de trs/quatro tipos:
        Miniaturas: so utilizadas com alunos
         que apresentam dificuldade de reconhecer
                                                                      Pictogrficos  desenhos que parecem
         e significar smbolos grficos e tambm
                                                                       com aquilo que desejam simbolizar.
         com alunos cegos ou com baixa viso,
         onde os relevos das miniaturas os                            Arbitrrios  desenhos que no tm
         auxiliam a reconhecer o objeto e assim                        relao pictogrfica entre a forma e
         confirmar a mensagem que desejam                              aquilo que desejam simbolizar.           61
         expressar. As miniaturas podem ser
                                                                      Ideogrficos  desenhos que simbolizam
         apresentadas uma a uma ou em grupos
                                                                       a idia de uma coisa, criam uma
         organizados      em      pranchas     de
                                                                       associao grfica entre o smbolo e o




                                                                                                                Captulo V - Comunicao Aumentativa e Alternativa  CAA
         comunicao.
                                                                       conceito que ele representa.
        Objetos parciais: utilizados em situaes
         onde os objetos a serem representados                        Compostos  grupos de smbolos
         so muito grandes. Nestes casos, a                            agrupados para representar objetos
         utilizao de parte do objeto pode ser                        ou idias.
         muito apropriada. Por exemplo, usar um
         mouse ou um CD para representar o
         computador ou um controle remoto para                  Existem vrios sistemas de smbolos grficos
         dizer que quer assistir  televiso.         que so conhecidos internacionalmente e utilizados
                                                      para a confeco de pranchas e cartes de comunicao,
        Fotografias: podem ser utilizadas para
         representar objetos, pessoas, aes,         entre eles citamos o Blissymbolics, o Pictogram
         lugares, sentimentos ou atividades.          Ideogram Communication Symbols (PIC) e o Picture
         Podemos tambm criar pranchas de             Communication Symbols (PCS).
                                                                                               Blissymbolics                           PCS  Picture Communication Symbols


                                                                                     O Sistema Blissymbolics utiliza basicamente             Os PCS (Smbolos de Comunicao Pictrica)
                                                                           smbolos ideogrficos. Os smbolos so organizados      foram idealizados em 1980 pela fonoaudiloga norte-
                                                                           sintaticamente nas pranchas de comunicao, tendo       americana Roxanna Mayer Johnson. Este sistema
                                                                           cada grupo sinttico uma cor especfica. (FERNANDES,    simblico  composto por aproximadamente 8.000
                                                                           1999, p. 47)                                            smbolos que representam uma grande variedade de
                                                                                                                                   vocabulrio. So de fcil reconhecimento e, por isso,
                                                                                                                                   muito utilizados por crianas ou indivduos que
                                                                                                                                   apresentam dificuldades em compreender representaes
                                                                                                                                   mais abstratas. Ele  basicamente pictogrfico e beneficia
                                                                                                                                   indivduos de qualquer idade. Podemos encontrar os
                                                                                                                                   PCS em livro (Combination Book) e em programas de
                                                                           Figura 28  Blissymbolics.                              computador (Boardmaker e Escrevendo com Smbolos),
                                                                                                                                   disponveis comercialmente no Brasil.
62
                                                                            PIC  Pictogram Ideogram Communication                           Traduzido para o portugus brasileiro, o PCS
                                                                                                                                   possui smbolos caractersticos e prprios de nossa
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                                                                                    O PIC  um sistema basicamente pictogrfico.   histria e cultura nacional sendo o sistema simblico
                                                                           Os smbolos constituem-se de desenhos estilizados em    mais utilizado no Brasil. Est traduzido em mais de 10
                                                                           branco sobre um fundo preto. Apesar de serem            lnguas, portanto possui um referencial clnico e terico
                                                                           desenhos visualmente fceis de serem reconhecidos,     internacional. Trata-se de um sistema aberto que se
                                                                           um sistema menos verstil que outros e tambm mais      adapta a questes regionais, culturais e pessoais do
                                                                           limitado, pois os smbolos no so combinveis.         usurio, possui uma simbologia de fcil interpretao.




                                                                           Figura 29  PIC  Pictogram Ideogram Communication.     Figura 30  PCS  Picture Communication Symbols.
            Pranchas de Comunicao

          Numa prancha de comunicao so colocados
vrios smbolos grficos que representam mensagens
(Figura 31). O vocabulrio de smbolos dever ser
escolhido de acordo com as necessidades comunicativas
de seu usurio e, portanto, as pranchas so
personalizadas. A prancha de comunicao apresenta a
vantagem de expor vrios smbolos ao mesmo o tempo.
Uma forma muito comum de organizar este recurso 
chamada de tcnica por subdiviso e nveis10.
          Cada prancha deve ser feita do tamanho e
formato necessrios e na confeco, so utilizados materiais
variados como folhas de papel, cartolina, isopor, madeira.
Uma prancha pode ser feita a partir de uma pgina de
lbum fotogrfico ou pasta com sacos plsticos.
          Alm das pranchas personalizadas (prancha                                              63
de comunicao pessoal) existem outras para mltiplos
usurios (ambientes escolares, turma, biblioteca, que
acompanha um livro ou jogo). Essas pranchas
possibilitam um ambiente rico em smbolos para todos




                                                                                                 Captulo V - Comunicao Aumentativa e Alternativa  CAA
que esto no local e podem ser utilizadas por mais de
um usurio de CAA.

10 Quando  necessrio um grande nmero de smbolos,
   a prancha pode dispor de subdivises ou nveis. Ambas
   permitem que muitos smbolos estejam a disposio do
   usurio ao mesmo tempo em que apenas um nmero limitado
   por vez  apresentado.
   A subdiviso  um sistema em que um smbolo se refere 
   outra pgina de smbolos ou a um recurso diferente. Por
   exemplo, na prancha principal h um smbolo para a comida.
   Quando esse smbolo for indicado, uma pgina ou prancha
   com smbolo relativos a comida dever ser apresentada.
   Nveis so pranchas "debaixo" de pranchas. Pode haver um
   vocabulrio bsico e nveis de outras pranchas que podem ser   Figura 31  Pranchas de CAA.
   folheados a medida do necessrio. (JOHNSON, 1998, p. 24)
                                                                                      Cartes de Comunicao




                                                                                     Trata-se de uma maneira simples de
                                                                           mostrar smbolos em um espao compacto. Os
                                                                           cartes so geralmente organizados em fichrios,
                                                                           presos em argolas ou em porta-cartes, de modo
                                                                           que o usurio possa folhe-los (Figura 32). Os
                                                                           smbolos, disponibilizados em formato de cartes,
                                                                           so bastante teis na sala de aula (na construo da
                                                                           rotina com a turma), em oficinas (como tpicos de
                                                                           interesse dos alunos) e so facilmente organizados
                                                                           como uma prancha de vocabulrio previamente
                                                                           selecionado. Como exemplo, podemos citar uma
64                                                                         oficina de culinria onde o professor pode selecionar
                                                                           o vocabulrio (receita) e aps, organiz-lo com a
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                                                                           turma, ordenando os cartes para montar a receita.
                                                                           Nessa atividade aproveita-se no s para explorar o
                                                                           lxico, como tambm a organizao sinttica,
                                                                           envolvendo alunos falantes e no-falantes.
                                                                                    Utilizamos tambm os cartes com
                                                                           crianas que possuem baixa viso, onde existe a
                                                                           necessidade de ampliarmos muito o smbolo grfico,
                                                                           ou com crianas que esto iniciando o uso de
                                                                           simbologia grfica para a CAA, e que posteriormente
                                                                           iro evoluir para pranchas maiores.


                                                                                                                                   Figura 32  Cartes de comunicao.
 6. Acessrios e idias para criarmos                           criana responde atravs do olhar ou apontar. Este
                                                                acessrio proporciona a vantagem da mobilidade dos
recursos de comunicao, utilizando
                                                                smbolos. Geralmente so os professores, os pais ou
           baixa tecnologia                                     os auxiliares (cuidadores) que usam o avental e se
                                                                posicionam na frente do aluno, para que ele sinalize
                                                                o smbolo que deseja comunicar. (Figura 34)
            Mesa com smbolos:  muito prtico
colocarmos smbolos sobre a mesa da cadeira de rodas ou
da sala de aula. Esta prancha fixa  normalmente plastificada
com papel Contact, que protege e impermeabiliza os
smbolos, liberando o uso da mesa para outras finalidades
(alimentao, escrita, pintura). (Figura 33)




                                                                                                                          65




                                                                                                                          Captulo V - Comunicao Aumentativa e Alternativa  CAA
                                                                Figuras 34  Avental de comunicao.



                                                                          Pastas de comunicao: uma forma
                                                                bastante comum de dispor o vocabulrio de smbolos
                                                                grficos, fotos ou letras so os cadernos, pastas com
Figura 33  Mesa com smbolo.                                   sacos plsticos ou lbuns de fotografia. Neste formato,
                                                                a primeira pgina geralmente equivale a uma prancha
                                                                principal e as seguintes so temticas ou em subnveis.
         Avental: um avental  confeccionado em                 (Figura 35)
tecido que facilita a fixao de smbolos, letras ou
objetos que possuem uma parte em velcro. No avental,
o parceiro de comunicao prende os smbolos e a
66
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                           Figura 35  Pastas de comunicao.



                                                                                    Porta documentos/cartes: so excelentes
                                                                           para momentos em que se quer primar pela portabilidade.
                                                                           So facilmente transportados em situaes como em
                                                                           uma aula de educao fsica ou no intervalo da escola,
                                                                           para comprar um lanche etc. (Figura 36)

                                                                                                                                     Figura 36  Porta cartes.
          lbum de fotografias: pode ser utilizado na             Agendas e calendrios: so excelentes para uso
introduo da CAA quando o usurio est aprendendo      em sala de aula e estimulam a organizao espacial e
novos smbolos. Para isso, organizamos as fotografias   temporal dos alunos. Essa atividade, que utiliza com toda
do aluno, sua famlia, os lugares que freqentam e ao   a turma os smbolos da CAA, pode se tornar um
lado de cada foto colamos os smbolos representativos   instrumento importante para a socializao de informaes
do que a imagem mostra. Podemos fazer um lbum          do aluno usurio de CAA e seus colegas. (Figura 38)
que mostre todos os espaos da escola, acompanhados
por smbolos correspondentes. (Figura 37)




                                                                                                                    67




                                                                                                                    Captulo V - Comunicao Aumentativa e Alternativa  CAA
Figura 37  lbum de fotografias.                       Figura 38  Calendrios e agendas.
                                                                                     Outros acessrios: a criatividade no tem
                                                                           limite e podemos criar vrios acessrios com objetivo
                                                                           de organizar e disponibilizar vocabulrio de smbolos
                                                                           grficos ao aluno. Seguem alguns exemplos: (Figuras
                                                                           39, 40, 41 e 42)




                                                                                                                                             Figura 41  Im de geladeira com smbolos representativos
                                                                                                                                             de alimentos.




68
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                           Figura 39  Quadro de feltro para fixar os cartes.




                                                                                                                                             Figura 42  Organizador de smbolos para sala de aula.




                                                                                                                                                       Livros construdos com simbologia da
                                                                                                                                             CAA: os alunos constroem livros com temas de seus
                                                                                                                                             interesses e ordenam os smbolos para contar suas
                                                                                                                                             histrias. Versos, cantigas, pesquisas, criao e
                                                                                                                                             recontagem de histrias infantis so alguns dos temas
                                                                           Figura 40  Jogo americano com smbolos, para a hora do lanche.
utilizados. Ests  mais uma atividade que poder                 Livros adaptados com a simbologia da
envolver todos os alunos e colaborar para a            CAA: colamos nos livros de histrias os smbolos da
compreenso da escrita atravs da ordenao dos         CAA que correspondem ao texto escrito. Isso facilita a
smbolos grficos, alm de trazer novo vocabulrio ao   habilidade e competncia na leitura, alm de trazer novo
aluno usurio da CAA. (Figura 43)                       vocabulrio simblico ao aluno. Acompanhando cada
                                                        livro podemos criar pranchas de CAA temticas para
                                                        que o aluno reconte ou interprete o que leu. (Figura 44)




                                                                                                                   69




                                                                                                                   Captulo V - Comunicao Aumentativa e Alternativa  CAA
Figura 43  Livros construdos com smbolos.            Figura 44  Livros adaptados com PCS.
                                                                                     Livros de atividades confeccionados com                          Jogos desenvolvidos com a simbologia
                                                                           a simbologia da CAA: atividades pedaggicas com                     da CAA: (Figuras 46, 47 e 48)
                                                                           desafios de contedos variados podem ser criadas com
                                                                           os smbolos grficos da CAA. Cada livro possui uma
                                                                           prancha de smbolos, com vrias opes de respostas
                                                                           para as tarefas propostas, deixando assim o aluno livre
                                                                           para interpretar e responder. (Figura 45)




70
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                           Figura 45  Livros de atividades educacionais com simbologia PCS.   Figura 46  Jogo de memria emborrachado e com tampinhas.
                                                                             grfica, em forma de cartes ou pranchas temticas
                                                                             como, por exemplo: (Figuras 49, 50 e 51)




Figura 47  Domin sensorial com prancha de interpretao.




                                                                             Figura 49  Tapete sensorial com smbolos e prancha de   71
                                                                             interpretao sobre as sensaes.




                                                                                                                                      Captulo V - Comunicao Aumentativa e Alternativa  CAA
Figuras 48  Kit de smbolos, letras, miniaturas e os livros de histrias.



          Simbologia da CAA nas atividades
educacionais: todos os projetos desenvolvidos em
sala de aula podem ser acompanhados de simbologia
                                                                             Figura 50  Estudo sobre as partes do corpo.
                                                                                                                                             7. Algumas sugestes para o
                                                                                                                                             trabalho com a Simbologia
                                                                                                                                             Grfica PCS e confeco de
                                                                                                                                                   recursos de CAA



                                                                                                                                                  Johnson (1998, p. 5) sugere que o PCS seja
                                                                                                                                        dividido em seis categorias primrias, baseadas na
                                                                                                                                        funo de cada palavra. Os smbolos so geralmente
                                                                                                                                        agrupados por categorias nos recursos de comunicao,
                                                                                                                                        para estimular a ordem frasal adequada. As categorias
                                                                                                                                        so as seguintes:


72                                                                                                                                                Social: palavras comumente usadas em
                                                                                                                                                   interaes sociais. Incluem palavras
                                                                                                                                                   socialmente bem educadas, palavras para
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                                                                                   pedir desculpas, expresses de gria para
                                                                                                                                                   expressar prazer e desprazer e quaisquer
                                                                                                                                                   outras palavras e expresses que sejam
                                                                                                                                                   exclusivas do indivduo.
                                                                                                                                                  Pessoas: incluindo pronomes pessoais.
                                                                           Figura 51  Projeto ecologia e redao sobre passeio feita             Verbos
                                                                           com smbolos PCS.                                                      Substantivos
                                                                                                                                                  Descritivo: primariamente adjetivos e
                                                                                                                                                   advrbios.
                                                                                                                                                  Miscelnea: basicamente so artigos,
                                                                                                                                                   conjunes, preposies, conceito de tempo,
                                                                                                                                                   cores, o alfabeto, nmeros e outras palavras
                                                                                                                                                   abstratas variadas (JOHNSON, 1998).
          Geralmente  vantajoso codificar por cores
os diferentes grupos de palavras nas pranchas de
comunicao. Isso no apenas torna a prancha
atraente, mas tambm ajuda significativamente a
rpida localizao dos smbolos. Nesse caso o contorno
ou o fundo do smbolo receber uma cor especfica,
de acordo com o grupo a que pertence.
         As seis categorias de palavras dos PCS podem
ser usadas em um sistema de codificao de cores
(JOHNSON, 1998, p. 5):

             Pessoas  contorno ou fundo amarelo.
             Verbos - contorno ou fundo verde.           Figura 52  Prancha organizada por categorias e cores.
             Substantivos - contorno ou fundo laranja.
             Descritivos - contorno ou fundo azul.
             Miscelnea - contorno ou fundo branco.                Outra caracterstica importante do PCS  o
             Social - contorno ou fundo rosa.            fato de que os smbolos podem ser modificados e          73
                                                          personalizados. Seria impossvel que o PCS provesse
          Ao projetarmos uma prancha de comunicao       um smbolo perfeito para cada pessoa e situao. Ou
organizamos os smbolos de forma que os de mesma




                                                                                                                   Captulo V - Comunicao Aumentativa e Alternativa  CAA
                                                          seja, na medida em que no localizamos, na biblioteca
categoria estejam prximos e procuraremos respeitar
                                                          de smbolos, algo que represente a mensagem que
a ordem frasal adequada na disposio dos smbolos
na prancha.                                               estamos buscando, podemos escolher outro smbolo
                                                          e ento padroniz-lo, ou seja, depois que definimos
          Observando o exemplo que segue podemos
perceber uma primeira coluna de smbolos com fundo        um smbolo para uma mensagem devemos utiliz-lo
cor-de-rosa que representa expresses sociais, seguidos   em todos os recursos de comunicao desse usurio.
de uma coluna com fundo amarelo que representa os         Da mesma forma que, quando no concordamos
sujeitos e pronomes e na seqncia, encontramos           com algum smbolo, podemos alter-lo, trocando a
verbos, substantivos e adjetivos. Uma dica para dispor    cor e/ou acrescentando formas.
o vocabulrio na prancha  obedecer  mesma ordem
de como escrevemos ou falamos. Cabe salientar que
essas orientaes no so rgidas e podem ser
modificadas quando necessrio. (Figura 52)
                                                                              8. Quando iniciar com a CAA                                    O estudo, desenvolvimento e aplicao dos
                                                                                                                                   vrios aspectos que englobam esse trabalho vm sendo
                                                                                                                                   realizados por profissionais das mais diversas reas e
                                                                                                                                   uma abordagem de equipe  recomendada para se
                                                                                     O trabalho com a CAA deve iniciar o mais      decidir sobre o formato do recurso de comunicao e
                                                                           cedo possvel a fim de que possamos evitar um atraso    estratgias adequadas para sua utilizao. Os parceiros
                                                                           no desenvolvimento das habilidades lingsticas do      de comunicao (famlia, professores e amigos), bem
                                                                           usurio. Outro parmetro bastante utilizado            como os prprios usurios, devem ser envolvidos na
                                                                           iniciarmos quando o usurio comea a manifestar um      seleo do recurso e do vocabulrio mais apropriado.
                                                                           distanciamento entre a sua capacidade compreensiva      Alm do professor especializado, o fonoaudilogo, o
                                                                           e a expressiva de linguagem ou quando comea haver      terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, o oftalmologista
                                                                           um distanciamento significativo entre a habilidade de   ou outros profissionais que atuam e conhecem o
                                                                           fala/escrita deste aluno com relao ao seu grupo       aluno, podero colaborar com o seu saber, para que o
                                                                           (colegas da mesma idade).                               recurso corresponda no s a necessidade de
                                                                                                                                   vocabulrio, mas a habilidade que o aluno possa ter
                                                                                                                                   para acess-lo. Receber informaes de todos tambm
74                                                                                                                                 pode ser o ponto de diferena entre um recurso til e
                                                                                                                                   um que traga frustrao.
                                                                                    9. Trabalho em equipe
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                     Iniciamos o trabalho de CAA com uma           10. Como iniciar/ensinar o uso da
                                                                           avaliao que buscar obter informaes/                              CAA
                                                                           conhecimentos sobre o aluno (suas potencialidades e
                                                                           habilidades) e sobre o meio no qual est inserido
                                                                                                                                             Devemos iniciar o uso da CAA em situaes
                                                                           (rotina e as principais necessidades de comunicao).
                                                                                                                                   reais de comunicao, ou seja, os smbolos dispostos
                                                                            necessrio tambm que o profissional que ir atuar
                                                                                                                                   em cartes ou pranchas devem sempre ser apresentados
                                                                           junto a este aluno e sua famlia, tenha conhecimento
                                                                                                                                   em um ambiente contextualizado. Por exemplo, no
                                                                           a respeito dos sistemas de CAA, para poder fazer a
                                                                                                                                   podemos ensinar o uso de uma prancha de
                                                                           indicao mais adequada e vivel do recurso a ser
                                                                                                                                   comunicao, onde o tpico principal  a alimentao,
                                                                           utilizado.
                                                                                                                                   se isso realmente no estiver inserido num contexto
comunicativo. No  nosso objetivo desenvolver no         grficos e isso no quer dizer que eles no possam se
aluno a capacidade de reconhecimento, compreenso         comunicar. Podemos criar para eles um sistema de
de imagens, mas sim que ele aprenda que pode utilizar     comunicao baseado, em uma habilidade especfica,
o smbolo para comunicar. Fica muito complicado           como por exemplo, apontar para os objetos concretos
para o usurio da CAA falar de seu desejo de comer        a fim de comunicar o que desejam.
ou beber algo, se isso no for disponibilizado em um
                                                                   Iniciaremos o trabalho da CAA apresentando
momento real de lanche ou de ida a lancheria.
                                                          aos poucos os smbolos de comunicao e  medida
         Para que haja comunicao  importante           que o vocabulrio do aluno vai aumentando, um maior
que no se perca de vista de que  preciso ter algo a     nmero de smbolos  inserido em sua prancha.
comunicar; algum com quem estabelecer trocas;
meios de expressar-se; razo e expectativas na                      Quando o mesmo smbolo aparece em vrias
comunicao     e    oportunidades     de     manter      pranchas  interessante que o coloquemos sempre na
relacionamentos com outras pessoas.                       mesma posio. Isso facilitar a localizao rpida
                                                          pelo aluno.  freqente encontrarmos em vrias
         Outro ponto importante  que nem sempre
                                                          pranchas os smbolos que representam o "sim" e
lidamos com alunos que iniciam o uso de CAA
diretamente com os smbolos grficos. Isso depender
                                                          "no" e por isso sero localizados sempre no mesmo         75
de suas habilidades cognitivas para simbolizao. No      lugar e de preferncia em um lugar de fcil acesso, por
incio de trabalho a escolha do recurso poder estar      serem freqentemente utilizados.
relacionada s habilidades (cognitivas, visual etc) e               Uma maneira interessante de aumentarmos




                                                                                                                     Captulo V - Comunicao Aumentativa e Alternativa  CAA
tambm a idade do aluno. Existe uma seqncia de          o vocabulrio do aluno  a imerso em smbolos, ou
aquisio que facilita a introduo da CAA: objetos       seja, cartes com smbolos grficos so colados nos
concretos, miniaturas, fotografia, smbolos, palavras/    vrios ambientes da casa, da escola (banheiro, ptio,
letras.
                                                          biblioteca, sala de aula, sala de msica) sobre os
          Para que se inicie o trabalho com os smbolos   objetos (cadeira, mesa, porta, geladeira, armrios,
grficos  importante verificar se esse aluno j          prateleiras, telefone etc.) e em locais de fcil acesso,
reconhece objetos concretos, miniaturas e fotografias.    para que sejam visualizados e apontados.
Salientamos que existem alunos que imediatamente
reconhecem e utilizam os smbolos grficos em                        Orientar e envolver os parceiros de
recursos de comunicao e outros passam por estas         comunicao (pais, cuidadores, professores, colegas
etapas de aquisio. Encontraremos tambm alunos          etc.) para que saibam utilizar e aproveitem o recurso de
que no iro conseguir utilizar pranchas com smbolos     comunicao em todos os momentos possveis,  um
                                                                           outro ponto fundamental na introduo da CAA. Eles            Podero ser observadas na avaliao do
                                                                           devem estar atentos s respostas do usurio, saber            usurio as suas habilidades em virar a
                                                                           aguardar sem antecipar ou adivinhar o que o aluno             pgina, apontar com preciso e alcanar
                                                                           quer comunicar, devem tambm devolver perguntas               todos os pontos da prancha. As
                                                                           objetivas e buscar a confirmao do usurio. Os               dificuldades como os movimentos
                                                                           parceiros so importantes na percepo e na informao        restritos, incoordenao motora e apontar
                                                                           sobre a necessidade de introduo de novos vocabulrios,      impreciso; dificuldades em transportar o
                                                                           devendo observar as mudanas de rotina e informar a           recurso ou virar uma pgina; determinaro
                                                                           quem  responsvel pela produo dos recursos de              formatos e estratgias de seleo de
                                                                           comunicao, sobre as novas experincias e exigncias         smbolos diferenciadas. A quantidade, o
                                                                           comunicativas do usurio.                                     tamanho e o posicionamento dos
                                                                                                                                         smbolos na prancha devem valorizar as
                                                                                                                                         possibilidades de acesso  mensagem de
                                                                                                                                         seu usurio.
                                                                              11. Consideraes que ajudam                               Deve-se tambm considerar se o aluno
76                                                                             a determinar o formato do                                 tem algum problema de viso, pois isso
                                                                                     recurso de CAA                                      pode dificultar a identificao e a
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                                                                         discriminao dos smbolos e, neste caso,
                                                                                                                                         devemos projetar smbolos maiores,
                                                                                                                                         realizar estudo de cores ou colocar relevo
                                                                                      Algumas consideraes so importantes com          no smbolo.
                                                                           relao ao formato final do recurso de CAA e sobre
                                                                           alguns aspectos em relao ao usurio do recurso que        Habilidades cognitivas: a habilidade
                                                                           devem ser avaliados, tais como as habilidades fsicas,       do aluno em reconhecer e utilizar um
                                                                           as habilidades cognitivas, a atitude do aluno, o local,      objeto concreto, foto ou desenho para
                                                                           a tarefa e com quem ser utilizado o recurso.                comunicar uma mensagem deve ser
                                                                                                                                        avaliada e nos dar pistas de qual ser o
                                                                                                                                        recurso mais apropriado ou de como ser
                                                                                     Habilidades fsicas: o tipo de habilidade         a melhor forma de introduzir o ensino e
                                                                                      fsica do usurio determinar o melhor            a prtica da CAA.
                                                                                      formato de seu recurso de comunicao.
 Atitude: devemos considerar como o              importante projetarmos um recurso que
  aluno reage diante do recurso de                seja porttil e personalizado e que contenha
  comunicao, pois alguns tendem a ser           um vocabulrio que de conta das vrias
  comunicadores         passivos,      no        atividades do cotidiano escolar. Para isso,
  demonstrando desejo ou no tomando              sero confeccionadas pranchas temticas
  iniciativa de comunicar. Outros                 como, por exemplo, a prancha da aula de
  indivduos consideram humilhante usar           artes, educao fsica, do recreio, do bar
  as figuras e eles preferem as palavras          etc. Algumas pranchas podero ficar
  escritas ou um sistema simblico menos          fixadas em um local especfico como no
  infantil.  muito importante estar              refeitrio ou na biblioteca e assim servir a
  sensvel  necessidade e aos desejos do         mais de um aluno.
  aluno, para uma introduo mais               Parceiros de comunicao: devemos
  adequada do recurso de comunicao.            conhecer com quem o aluno se
  Conhecendo bem o aluno, poderemos              comunicar na escola e quais os requisitos
  encontrar um assunto que traga motivao       que estes parceiros de comunicao
  e interesse em estabelecer trocas                                                              77
                                                 devem ter, bem como suas qualidades e/
  comunicativas e, assim, projetaremos um        ou necessidades. Poder fazer parte do
  recurso que v ao encontro de seu gosto        vocabulrio do aluno alguns smbolos




                                                                                                 Captulo V - Comunicao Aumentativa e Alternativa  CAA
  e necessidade.                                 que representem o que seus parceiros
 Local: durante a avaliao para a              gostariam de saber sobre ele, como, por
  confeco do recurso de CAA deveremos          exemplo, o que a professora gostaria que
  observar o local, no caso a escola, onde o     seu aluno pudesse expressar em sala de
  aluno exercitar trocas comunicativas.         aula, se ele est entendendo o contedo
  Buscaremos entender quando ou em               ou se quer saber mais.
  quais oportunidades o aluno utilizar         Tarefas do cotidiano escolar: qual o
  seu recurso de CAA e isso ajudar na           objetivo dos vrios recursos de
  identificao do vocabulrio necessrio.       comunicao (pranchas temticas) e que
   Na escola os alunos se comunicam durante      vocabulrio o usurio necessitar (quais
   todo o tempo e em todos os espaos. Ser      os smbolos) em cada situao especfica.
                                                                                                                                   teremos uma menor quantidade de mensagens.

                                                                                    12. Tcnicas de Seleo                                 Para algumas pessoas com grandes
                                                                                                                                   dificuldades fsicas, o simples fato de apontar o dedo
                                                                                                                                   sobre um smbolo, para indicar uma mensagem,
                                                                                                                                   pode no ser possvel ou prtico. Tcnicas de seleo
                                                                                     Outro aspecto muito importante para o         e pranchas de smbolos com formatos alternativos
                                                                           profissional que ir trabalhar com CAA  a              foram ento criadas para dar a essas pessoas outras
                                                                           compreenso sobre as diferentes tcnicas de seleo     opes.
                                                                           possveis, no uso de uma prancha de comunicao.
                                                                                     Se pensarmos que um determinado aluno
                                                                           no tem a possibilidade de usar suas mos ou outra                             importante determinar a
                                                                           parte do corpo para apontar o smbolo, como                         tcnica de seleo mais eficiente para
                                                                           poderamos imaginar esse mesmo aluno utilizando                     cada indivduo. Um terapeuta ocupacional
                                                                           uma prancha de CAA, com um nmero considervel                       geralmente um membro importante da
                                                                           de mensagens? Nesse caso, podemos sugerir o uso da                  equipe na avaliao. Deve ser determinado
78                                                                         tcnica de varredura, onde o apontamento do smbolo                 o posicionamento ideal da prancha e do
                                                                            feito por outra pessoa (parceiro de comunicao),
                                                                                                                                               usurio. A preciso, o quanto o sujeito
                                                                           que indica os smbolos da prancha, um a um, e o
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                                                                               fadiga e a velocidade so fatores a serem
                                                                           usurio da CAA manifesta, atravs de um som ou
                                                                           gesto, qual o smbolo que deseja expressar.                         considerados.(JOHNSON, 1998,p.14)

                                                                                     A tcnicas de seleo de smbolos  ento
                                                                           definida como a forma pela qual o usurio escolhe os            As tcnicas de seleo podem ser divididas
                                                                           smbolos numa prancha de comunicao.                   em duas categorias: a seleo direta e varredura.
                                                                                     O mtodo usado para a indicar os smbolos
                                                                           na prancha afetar diretamente o nmero de
                                                                           vocabulrio possvel e sua disposio. Se o usurio                  Seleo direta (Figura 53)   o mtodo
                                                                           possui um apontar preciso e atinge todos os espaos                 prefervel, quando possvel. Geralmente
                                                                           de sua prancha, poderemos pensar em smbolos                        consome menos tempo e requer menos
                                                                           menores e conseqentemente um maior nmero de                       do ouvinte. As tcnicas mais comuns
                                                                           vocabulrio. Se o apontar do usurio no for preciso,               requerem que os indivduos apontem ou
                                                                           poderemos aumentar o tamanho dos smbolos e
                                                                                                                                               toquem diretamente o smbolo. Pode-se
                                                                           separ-los no espao da prancha e por conseqncia
              apontar com o dedo ou com uma                           A tcnica de olhar (eye-gaze) 
              ponteira de cabea ou luz fixada na                    geralmente um bom mtodo para
              cabea. Diferentes partes do corpo, tais               indivduos com graves problemas fsicos.
              como o dedo do p, punho ou cotovelo,                  Confeccionamos uma prancha no formato
              tambm podem ser utilizados para a                     de moldura, vazada ao centro, onde os
              seleo direta". (JOHNSON, 1998, p.14)                 smbolos so colocados nas pontas. O
                                                                     parceiro de comunicao se posiciona na
                                                                     frente do usurio, apresenta-lhe a prancha
                                                                     diante dos olhos. O usurio dever ento
                                                                     direcionar o olhar para o smbolo que
                                                                     corresponde  mensagem que deseja
                                                                     expressar. Como o parceiro est posicionado
                                                                     a sua frente, pode acompanhar o movimento
                                                                     e a fixao de seus olhos, atravs da rea
                                                                     vazada da prancha de olhar.

                                                                                                                   79
                                                                  No caso de pranchas de olhar, devemos ter o
                                                         cuidado de separar suficientemente os smbolos para
                                                         que tenhamos certeza qual smbolo foi selecionado.




                                                                                                                   Captulo V - Comunicao Aumentativa e Alternativa  CAA
                                                                      Varredura  esta tcnica exige somente
                                                                     que a pessoa tenha uma resposta
                                                                     controlvel consistente, como sacudir a
                                                                     cabea, bater um p ou piscar os olhos. Os
                                                                     recursos de baixa tecnologia necessitam de
                                                                     um facilitador para apontar para os
                                                                     smbolos de maneira sistemtica, enquanto
                                                                     o usurio sinalizar quando o smbolo
                                                                     desejado for apontado. Alguns recursos de
                                                                     alta tecnologia apresentam varredura
                                                                     automtica. (JOHNSON, 1998, p. 15)
Figura 53  Tcnica de seleo direta.
                                                                                      Diferentes estratgias de seleo podem ser                    No exemplo abaixo a combinao de letras e
                                                                           utilizadas e com objetivo de acelerar a escolha do smbolo.   nmeros significar mensagens pr-estabelecidas. Nesse
                                                                                                                                         caso, o usurio apontar um prancha alfabtica e numrica
                                                                                     Por exemplo: o parceiro de comunicao poder
                                                                                                                                         e a lista de cdigos acompanhar esta prancha. (Figura 54)
                                                                           primeiro fazer a varredura perguntando se o smbolo est
                                                                           na primeira linha da prancha, na segunda linha e assim        PALAVRAS DA LUIZA
                                                                           sucessivamente. Depois de o usurio identificar a linha, o
                                                                           parceiro aponta diretamente sobre os smbolos nela            A1 = oi                               C3 = estou com fome
                                                                           localizados, um a um, e aguarda a resposta de seleo da      A2 = tchau                            D1 = sinto sede
                                                                           mensagem, que ser feita pelo usurio.                        A3 = qual  o seu nome?               D2 = vamos jogar algo?
                                                                                    Podemos tambm criar pranchas com grupos             A4 = tudo bem?                        D3 = sanduche
                                                                           de smbolos separados e fazer a varredura por grupo.          A5 = estou bem                        D4 = coca-cola
                                                                           Tendo o grupo selecionado, o parceiro inicia o                A6 = estou triste                     D5 = cahorro-quente
                                                                           apontamento de cada um dos smbolos ali colocados.            B1 = sinto frio                       E1 = quer me visitar?
                                                                                                                                         B2 = estou com calor                  E2 = t na hora!
                                                                           Nesse tipo de prancha  possvel tambm integrar a
                                                                                                                                         B3 = quero falar com a minha me      E3 = muito bom
                                                                           tcnica de seleo pelo olhar (o usurio olha e assim
                                                                                                                                         B4 = chame a professora               E4 = mais tarde
                                                                           seleciona um grupo de smbolos) e em seguida o
80                                                                                                                                       C1 = preciso ir ao banheiro           F1 = legal
                                                                           parceiro inicia a varredura dos smbolos do grupo
                                                                                                                                         C2 = quero mudar de posio           F2 = incrvel
                                                                           indicado pelo usurio.
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                         Codificao  a partir de um nmero
                                                                                        limitado de smbolos, a codificao
                                                                                        permite a ampliao dos significados,
                                                                                        ocasionando um aumento de vocabulrio.
                                                                                        Uma estratgia pr-determinada permite
                                                                                        que uma seqncia de escolhas de
                                                                                        smbolos agregue novos significados,
                                                                                        alm do significado isolado de cada
                                                                                        smbolo. Requer que o usurio
                                                                                        compreenda e exige dele um maior grau
                                                                                        de abstrao. Codificao pode ser usada
                                                                                        pelo indivduo usando seleo direta ou
                                                                                        varredura (JOHNSON, 1998, p. 15)                 Figura 54  Tcnica de codificao.
13. Os recursos de alta tecnologia                                   Quando o smbolo ou palavra estiver
       utilizados na CAA                                   selecionado pela varredura, sua ativao (transformao
                                                           em voz)  feita por acionadores, que so chaves
                                                           colocadas em qualquer parte do corpo, onde o
         Vocalizadores:        os vocalizadores so        usurio possui algum controle ativo de movimento.
recursos mais sofisticados, que contm as pranchas de      O acionador pode ser ativado com presso (tocar a
comunicao com voz e que ajudam a comunicao             mo, o p, a cabea), trao (puxar o brao), sopro,
das pessoas em seu dia-a-dia. Atravs de um vocalizador,   piscar etc.
o usurio manifesta seus pensamentos, sentimentos
e desejos, escolhendo uma tecla do equipamento
que, ao ser selecionada, emite uma voz que expressa                  So exemplos de vocalizadores:
a mensagem escolhida. Sobre as teclas so colocadas
                                                                     O vocalizador GoTalk  um gravador de voz
imagens (fotos, smbolos, figuras) ou palavras, que
                                                           e necessita acesso direto em suas teclas: (www.
correspondem ao contedo sonoro gravado, ou texto
                                                           attainmentcompany.com e www.clik.com.br). (Figura 55)
que ser transformado em voz sintetizada.
           A escolha do smbolo a ser falado poder ser                                                              81
feita pelo usurio de forma direta ou indireta.
          Na forma direta o usurio do vocalizador




                                                                                                                     Captulo V - Comunicao Aumentativa e Alternativa  CAA
dever levar uma parte do corpo, como o dedo ou
cotovelo, ou uma ponteira colocada na mo, boca ou
cabea; sobre a tecla que contm a mensagem que deseja
expressar e, ao teclar, a mensagem  ouvida por todos.
          Algumas pessoas no possuem a habilidade
motora de tocar com preciso em uma nica tecla do
vocalizador e ento podero optar pela seleo indireta.
Nesse caso, um sinal luminoso ou auditivo percorrer
cada uma das teclas e o usurio far a seleo da
mensagem que deseja expressar, quando esse sinal estiver
sobre a tecla correspondente. Esta forma de seleo 
tambm chamada de sistema de varredura automtica.         Figura 55  Vocalizador GoTalk.
                                                                                      O vocalizador Zygo Talara tambm funciona
                                                                           com voz gravada, mas o acesso  direto ou indireto
                                                                           pois possui a funo de varredura integrada; (www.
                                                                           zygo-usa.com e www.clik.com.br). (Figura 56)




                                                                                                                                       Figura 57  Vocalizador Spok21.


                                                                                                                                                 Computadores: os computadores podem
                                                                                                                                       tambm se transformar em potentes recursos de comunicao,
                                                                                                                                       com vocabulrio ilimitado. Para isso, utilizamos um software
                                                                                                                                       especial com pranchas dinmicas, ou teclados virtuais
82                                                                                                                                     e programas de sntese de voz. Recursos de acessibilidade
                                                                                                                                       como os teclados, mouses e acionadores, podero ser teis
                                                                                                                                       para que acontea o acesso ao smbolo ou  letra.
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                                                                                  Com o software de pranchas dinmicas, o usurio
                                                                                                                                       visualiza sua prancha principal no monitor do computador
                                                                           Figura 56  Vocalizador Zygo Talara.
                                                                                                                                       e, ao acessar um smbolo, que representa um outro tema,
                                                                                                                                       automaticamente acontece a mudana da prancha, para
                                                                                                                                       que ele possa falar sobre o assunto desejado.
                                                                                                                                                 Um exemplo de software de pranchas dinmicas
                                                                                       O vocalizador Spok21, possui um teclado e        o Speaking Dynamically Pro (www.clik.com.br). Ao
                                                                           o texto escrito  falado atravs de sntese de voz. O       acessar um dos smbolos que aparece na tela do monitor,
                                                                           acesso sobre as letras  direto ou indireto (varredura e     emitido um som com a mensagem que o smbolo
                                                                           acionador). (www.briserv.com/zygo/new/product.cfm?id=161)   representa. Na ilustrao vemos uma prancha principal
                                                                           (Figura 57)                                                 onde o usurio fala que deseja "ir", aparece ento outra
                                                                                                                                       prancha com os lugares de sua escola. Ele ento seleciona
                                                                                                                                       o "bar". Neste momento, h novamente a mudana da
                                                                                                                                       prancha e ento o aluno pode pedir o que deseja comprar
                                                                                                                                       e depois retornar  prancha principal. (Figura 58)
                                                                   de pranchas dinmicas e teclado virtual. (www.
                                                                   comunicacaoalternativa.com.br).
                                                                            A Prancha Livre de Comunicao  um
                                                                   Software Livre executvel em ambiente Windows que
                                                                   foi desenvolvido pelo Laboratrio de Engenharia
                                                                   de Reabilitao (LER) da PUCPR. Para download
                                                                   do programa consulte o site: www.ler.pucpr.br/
                                                                   amplisoft.




Figura 58  Pranchas dinmicas do Speaking Dynamically Pro.                       14. Concluso

          O acesso ao smbolo que est no monitor
do computador pode acontecer por apontamento                                 Os professores e pais que queiram criar
                                                                                                                          83
direto, atravs de mouse convencional, mouse                       um ambiente de linguagem, que realmente favorea
adaptado ou tela de toque1 e ainda pode-se optar pela              o desenvolvimento da comunicao alternativa,
varredura automtica. Neste ltimo caso, a escolha




                                                                                                                          Captulo V - Comunicao Aumentativa e Alternativa  CAA
                                                                   tero realmente que modificar seus pensamentos
 feita atravs de um acionador de presso, trao,
                                                                   e flexibilizar suas atitudes. Eles devero, acima de
sopro ou qualquer outro que atenda  necessidade
                                                                   tudo, modificar algumas idias ultrapassadas sobre
especfica e a possibilidade de controle de movimento
                                                                   o ensino de linguagem, buscando transcender a
do aluno.
                                                                   compreenso do papel de instrutores.
                                                                            Linguagem no  algo que se treina. A
           Softwares gratuitos                                     comunicao, quando em um ambiente favorvel,
        O Comunique e o Teclado Comunique                          variado e agradvel, ocorre o tempo todo.
so programas gratuitos que realizam a funo                                Devemos acrescentar mais um aspecto
                                                                   essencial para que haja comunicao, ou seja, o
1 Tela de vidro especial colocada sobre o monitor ou integrada a
                                                                   interesse real no que o aluno, usurio de CAA, tem
  ele, que permite que o clique do mouse seja feito diretamente
  pelo toque do dedo sobre o monitor.                              para comunicar.
                                                                                     Com isso esperamos, como resultados na
                                                                           prtica da CAA na escola, ampliar a independncia
                                                                           desse aluno, que passar a expressar o que deseja; elevar
                                                                           sua produtividade, seja na escola, trabalho ou em casa;
                                                                           propiciar melhores condies de aprendizado e com
                                                                           isso aumentar a auto-estima, levando esse aluno a
                                                                           uma verdadeira incluso escolar e social.
                                                                                     Sendo assim, todo o nosso esforo
                                                                           deve existir no sentido de possibilitar uma via de
                                                                           comunicao onde o indivduo poder expressar
                                                                           seus sentimentos, questionamentos e desejos. Com
                                                                           isso passar da situao de no comunicador ou de
                                                                           comunicador passivo, para a situao de agente de
                                                                           comunicao.

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Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica
CAPTULO VI
         Recursos de Acessibilidade ao Computador
                                                                                          Ndia Browning




O
           s computadores so usados geralmente                     A seguir, iremos abordar algumas das
           para atividades educacionais, de trabalho      diversas consideraes na escolha de um mtodo de
           e/ou de lazer e envolvem freqentemente        acesso.
o uso da internet, jogos, e-mail e/ou escrita criativa.
         Uma pessoa com deficincia fsica,
devido a sua limitao de mobilidade e
comunicao, tende a usar mais o computador                                                                         87
e, atravs dele, passa a ter acesso a lugares e
conhecimentos de seu interesse. Para aqueles que
                                                                  Primeiro ser importante identificar a
possuem dificuldade de comunicao, o
                                                          necessidade e interesse que o aluno tem em utilizar
computador pode se tornar uma ferramenta de




                                                                                                                    Captulo VI - Recursos de acessibilidade ao computador
                                                          o computador. O que ele quer escrever ou comunicar,
expresso quando utilizado para transmitir
                                                          bem como o que motiva o aluno a usar o
idias, necessidades, sentimentos, etc.
                                                          computador.
         O acesso ao computador depende de
habilidades motoras. Quando a utilizao do
teclado e/ou mouse convencional for difcil                          Depois faremos uma anlise da atividade
devido ao prejuzo de movimentos,  diminuio            escolhida para identificar o que  necessrio para
da amplitude de movimentos e da fora ou                  realiz-la. Por exemplo: para jogar Pacincia (jogo de
devido  fadiga, os mtodos de acesso alternativos,       cartas) no computador  preciso uma maneira de
como um teclado e/ou um mouse especial                    controlar mais de uma funo do mouse: o "clique" e
podero proporcionar ao aluno o comando do                o "arrastar".  importante lembrar que as funes do
computador.                                               mouse incluem: clique, duplo-clique, clique e preenso,
                                                          arrastar e liberao do clique.
                                                                                    A terceira considerao  compreender as        e nunca o contrrio.
                                                                           habilidades especficas do aluno. Por exemplo: uma
                                                                                                                                              Para que o mtodo de acesso seja encontrado
                                                                           pessoa que tem movimento intencional e constante,
                                                                                                                                    com facilidade, este texto foi organizado em Funo
                                                                           porm possui uma amplitude articular limitada em
                                                                                                                                    do Teclado e em Funo do Mouse. Para cada uma
                                                                           suas mos, pode se beneficiar com um trackball
                                                                                                                                    destas funes, as opes e recursos sero fornecidos
                                                                           (mouse com uma esfera grande, que fica sobre o
                                                                           equipamento), que ser mais fcil de ser utilizado do    com base nas habilidades do aluno. Um tpico sobre
                                                                           que um mouse convencional.                               estratgias de apoio  escrita e leitura tambm foi
                                                                                                                                    desenvolvido.
                                                                                    A escolha do mtodo de acesso (convencional
                                                                           ou adaptado) ir depender das necessidades e das                  Como a tecnologia est em constante
                                                                           habilidades do aluno e da atividade a ser realizada.     mudana, os respectivos sites da Internet sero
                                                                           Uma avaliao detalhada das habilidades do aluno  de    includos no texto para que o leitor possa obter
                                                                           extrema importncia e um exemplo disso pode ser visto    informaes detalhadas e atualizadas do assunto em
                                                                           em www.members.aol.com/IMPT97/MPT.html e www.            questo. Alguns programas tm uma verso de
                                                                           members.aol.com/IMPT97/mptdesc.html (Matching            demonstrao que pode ser baixado gratuitamente.
88                                                                         Person and Technology (MPT) Assessment Process).
                                                                           Nenhum mtodo de acesso ser til para todos, e mais
                                                                           de um mtodo pode ser til para uma mesma pessoa.
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                           Existem muitos mtodos diferentes de acesso que so
                                                                                                                                              1. Funo do Teclado
                                                                           atualmente disponveis em hardware e software
                                                                           convencionais. Na escolha do mtodo de acesso, 
                                                                           importante considerar exigncias do sistema e a
                                                                           compatibilidade entre o programa e computador.           Habilidades: o aluno pode usar um teclado
                                                                                    O sucesso ou no do uso de um mtodo de         convencional, mas devido a sua deficincia
                                                                           acesso com um aluno pode depender do posicionamento      motora ele/ela/
                                                                           do aluno frente ao teclado, como a localizao e
                                                                           posicionamento do teclado. Por exemplo: o teclado                 A: /ativa outras letras indesejadas:
                                                                           colocado em um ngulo inclinado poder facilitar o
                                                                           enxergar e/ou o alcance das teclas. Outro fator a                 Opes:
                                                                           considerar  fazer uso das caractersticas do produto,             usar uma colmia para separar as teclas e
                                                                           para que este v ao encontro das habilidades do aluno               ajudar o aluno a alcanar a tecla desejada
          sem ativar outras no caminho. As
          colmias podem ser construdas de                     C: /fica logo cansado.
          acrlico ou um material resistente como
          papel-carto ou placa de metal. (www.                 Opes:
          clik.com.br).                                          usar adaptaes ou suporte para apoio
        modificar a sensibilidade em "Teclas de                  brao, punho e/ou mo.
         Filtragem", que faz parte das "Opes de                usar programa com predio de palavras
         Acessibilidade" do sistema operacional                   e de expanso e abreviatura.
         Windows, localizadas dentro do Painel de                explorar teclados menores do que o
         Controle. Mais informaes esto                         teclado convencional (ex. Magic Wand
         disponveis nos sites da Microsoft em www.               www.magicwandkeyboard.com/).
         microsoft.com/technet/prodtechnol/                       (Figura 60)
         windowsserver2003/pt-br/library/
         ServerHelp/a676f706-e63a-4964-9688-
         6e346fd06e9a.mspx ou www.microsoft.                     O Programa de Predio de Palavras permite
                                                                                                               89
         com e procurar por "acessibilidade".          com que o usurio selecione a palavra desejada entre
                                                       uma lista.  medida que o usurio comea a escrever
                                                       uma palavra, o programa fornece uma lista de palavras
       Opo:                                          com a letra teclada. O aluno poder ento selecionar




                                                                                                               Captulo VI - Recursos de acessibilidade ao computador
                                                       o nmero correspondente  palavra desejada sem
        selecionar a opo "Ignorar Pressionamentos
                                                       precisar escrever a palavra toda (no Microsoft Word
         de Tecla Repetidos em Opes de
                                                       podemos tambm selecionar "Ferramentas",
         Acessibilidade.
                                                       "Autocorreo" e "Autotexto", para adicionar
                                                       expresses utilizadas com freqncia pelo aluno).
         B: /ativa simultaneamente a mesma                      O Programa de Expanso e Abreviatura
tecla duas vezes.                                      permite com que o aluno programe abreviaturas
                                                       para representar uma frase, pargrafos, endereos
       Opo:
                                                       etc. (no programa Word podemos selecionar
        ajustar "Teclas de Aderncia em               "ferramentas", "autocorreo" , "substituir texto
         Opes de Acessibilidade.                     ao digitar").
                                                                                                                                              C: /o texto no monitor
                                                                           Habilidades: aluno que pode usar um teclado
                                                                                                                                              Opes:
                                                                           convencional ou no, porm tem dificuldades
                                                                           em enxergar/                                                        explorar o uso de um editor de texto que
                                                                                                                                                tenha fontes grandes e com cor que
                                                                                                                                                possam contrastar com o fundo.
                                                                                   A: /as letras no teclado.
                                                                                                                                               usar software com sntese de voz.
                                                                                   Opes:
                                                                                                                                               explorar software que aumente o texto na
                                                                                    explore teclados convencionais pretos e
                                                                                                                                                tela.
                                                                                     com letras brancas.
                                                                                    coloque letras maiores sobre               as             providenciar um monitor de tamanho
                                                                                     correspondentes letras no teclado.                         maior.

                                                                                    utilize um programa com leitor na tela                    se a deficincia visual for severa,
                                                                                     com sntese de voz, que  o programa que                   considerar impresso em braile.
                                                                                     l o que est escrito na tela (screen reader).
90                                                                                   Alguns programas que possuem esta
                                                                                     habilidade podem ler a letra, palavra e/                 D: /o cursor no monitor
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                     ou frase, logo aps essa ser digitada                     Opo: utilizar software que aumente o
                                                                                     (Classroom Suite / IntelliTalk  www.            cursor alm do permitido pelo Painel de Controle,
                                                                                     intellitools.com) (www.clik.com.br).             como os encontrados em www.rjcooper.com/biggy/
                                                                                    Windows XP em Ingls vem com um                  index.html ou www.anicursor.com/special.html.
                                                                                     programa bsico com leitor na tela
                                                                                     chamado de Narrator www.accessible-
                                                                                     devices.com/narrator.html.
                                                                                                                                      Habilidades: o aluno que no pode utilizar
                                                                                                                                      um teclado convencional (mas consegue ver
                                                                                   B: /o monitor                                      ou no as letras) e possui coordenao motora
                                                                                                                                      suficiente para acessar um teclado alternativo.
                                                                                    Opo: posicionar o monitor mais prximo
                                                                           do aluno, utilizando um apoio mvel.                       Opo: explorar o uso de teclados expandidos, com
                                                                                                                                      ou sem uma colmia (ex. IntelliKeys). (Figura 59)
        Teclados alternativos oferecem ao usurio      Habilidades: o aluno que no pode utilizar
uma variedade de tamanhos diferentes com funes       um teclado convencional, mas consegue ver as
e caractersticas diferentes. Alguns permitem que o    letras e possui limitao da amplitude articular
usurio programe o teclado de acordo com as suas       de movimento.
necessidades, como o IntelliKeys (www.intellitools.
com e www.clik.com.br/intelli_01.html#intellikeys ).          Opo: explorar o uso de teclados menores
                                                       do que o teclado convencional como, por exemplo, o
                                                       MagicWand www.magicwandkeyboard.com/).




                                                                                                            91




                                                                                                            Captulo VI - Recursos de acessibilidade ao computador
                                                       Figura 60  Magic Wand.




                                                                  2. Funo do Mouse

                                                       Habilidades: o aluno que pode controlar a
                                                       direo e o movimento do mouse convencional,
                                                       mas tem dificuldades/

Figura 59  IntelliKeys.                                       A: /em ativar o clique do mouse
                                                                                    Opes:                                          Quando a funo Teclas do mouse (em Opes de
                                                                                                                                     Acessibilidade)  ativada, cada nmero do teclado
                                                                                     Procurar um software que no precisa do
                                                                                                                                     numrico adquire uma funo do mouse. A instruo
                                                                                      clique do mouse, ou seja, o clique  ativado
                                                                                                                                     para Windows pode ser encontrada em: support.
                                                                                      quando o cursor pra na rea desejada. O
                                                                                                                                     microsoft.com/default.aspx?scid=kb;en-us;139517
                                                                                      teclado virtual do Windows XP possui essa
                                                                                      funo.
                                                                                     Considerar o uso do software onde o clique
                                                                                       automtico (autoclique). Seguem 4            Habilidades: o aluno que no pode manusear o
                                                                                      endereos de sites, onde se pode fazer o       mouse convencional ou usar um teclado, mas
                                                                                      download      gratuito    do    programa       tem/
                                                                                      demonstrativo, do "auto clique": www.
                                                                                      madentec.com/action/try.html,        www.
                                                                                      polital.com/pnc,        orion.com/access/            A: /um bom controle do movimento de
                                                                                      dragger/index.htm e www.sensorysoftware.       uma mo.
                                                                                      com/softwareinfo.html.
                                                                                                                                              Opes:
92
                                                                                                                                               Explorar     variedades de   mouses
                                                                                                                                                comercialmente disponveis. O mouse
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                           Habilidades: o aluno que no pode manusear o                         pode vir em tamanhos, em formas e em
                                                                           mouse convencional em todas as suas funes                          cores diferentes.
                                                                           (clique, clique duplo, clicar e arrastar) mas
                                                                                                                                               Explorar recursos alternativos. Alguns
                                                                           consegue/
                                                                                                                                                mouses tm teclas extras ou suas funes
                                                                                                                                                podem ser programadas atravs de
                                                                                    A: /usar um teclado convencional ou                         software. Outros conectam simplesmente
                                                                           alternativo.                                                         ao computador sem software (ex:
                                                                                                                                                GlidePoint www.cirque.com/).
                                                                                    Opo: usar o teclado numrico tradicional
                                                                           disponvel no teclado convencional ou alternativo. O
                                                                           teclado expandido, IntelliKeys USB, inclui uma                     B: /tocar ou apontar o monitor.
                                                                           prancha com colmia que permite o uso do mouse.
                                                                                                                                              Opo: explorar o uso de tela sensvel ao
                                                                           MagicWand  o teclado pequeno que tambm permite
                                                                                                                                     toque. Tela sensvel ao toque  uma tela colocada em
                                                                           que o teclado numrico seja usado como um mouse.
frente do monitor ou que est integrada ao monitor e      mouse e que esses possam: ter a velocidade de resposta
que permite ser ativada com o toque do dedo ou de uma     ajustada, ser utilizado com a mo esquerda ou direita,
caneta especial. Os alunos com pouca ateno ou com       ativar separadamente os botes para a funo de
dificuldades de entender o funcionamento de perifricos   clicar e arrastar.
como o mouse, tambm podem beneficiar-se de uma                      O joystick utiliza uma haste para controlar os
resposta imediata. (www.clik.com.br). (Figura 61)         movimentos do cursor e os cliques do mouse. Essa haste
                                                          pode ser encontrada em forma de "T" ou "O". Todas
                                                          essas variaes esto disponveis para facilitar a preenso
                                                          e, com isso, o manuseio. (www.donjohnston.com/
                                                          catalog/pengild.htm).
                                                                     O Trackball parece com um mouse de cabea
                                                          para baixo, onde a esfera estacionria gira em torno de sua
                                                          prpria linha central, para mover o cursor. Esses dispositivos
                                                          variam de tamanho da esfera e das funes oferecidas. Por
                                                          Exemplo, o "EasyBall"  um trackball grande,
                                                          freqentemente utilizado por crianas e apresenta
                                                          resistncia para moviment-lo. (Figura 62)                       93




                                                                                                                           Captulo VI - Recursos de acessibilidade ao computador
Figura 61  Monitor com tela de toque.



       C: /ter algum controle do movimento
de uma mo.
         Opo: explorer joystick, trackball, trackpad,
teclados alternativos que possuem as funes do           Figura 62  Trackball.
                                                                                    Trackpad permite controle do mouse atravs                O teclado virtual  um programa que fornece
                                                                           de uma placa (pequena ou grande) onde o toque nessa      uma imagem de um teclado na tela do computador
                                                                           placa ocasiona o movimento do mouse.                     com letras, nmeros, pontuao e/ou smbolos, por
                                                                                    Os seguintes sites descrevem uma variedade      exemplo, Clicker4, Wivik3, Speaking Dynamically
                                                                           de recursos de mouse alternativos:                       Pro. A seleo das teclas pode ser feita pelo mouse,
                                                                                                                                    trackball, tela sensvel ao toque, ou outros recursos
                                                                                                                                    alternativos ao mouse, como tambm por varredura,
                                                                            www.infogrip.com.                                       atravs dos acionadores (descritos mais adiante).
                                                                                                                                    Muitos dos teclados virtuais oferecem tambm as
                                                                            www.infogrip.com/category_view.asp?subcategory=8&C      funes do mouse.
                                                                            atTxt=Mice&option=pointing.
                                                                                                                                               O teclado virtual  utilizado quando o aluno
                                                                            www.techconnections.org/resources/guides/Mouse.cfm.     no pode fisicamente alcanar o teclado convencional
                                                                                                                                    ou alternativo. A maioria dos programas de teclado
                                                                                                                                    virtual fornece uma verso padro, com a organizao
                                                                                    Detalhes do trackball da Kensington e outros    do QWERTY tradicional. O uso da predio de
94
                                                                           mouse alternativos podem ser encontrados em:             palavra e/ou a abreviatura-expanso podem facilitar a
                                                                                                                                    escrita. (Figura 63)
Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                                                                              Alguns programas de teclado virtual permitem
                                                                            www.aroga.com/com_access/mouse_alternatives.asp.        que o professor programe os botes ou teclas e desta
                                                                                                                                    forma o teclado pode ser construdo, de acordo com as
                                                                                                                                    necessidades do aluno. Por exemplo: para escrever sobre
                                                                                                                                    um passeio ao zoolgico, as palavras referentes a
                                                                                                                                    animais e o ocorrido neste passeio podem ser
                                                                           Habilidades: aluno que pode controlar um
                                                                                                                                    programadas em teclas individuais. Assim, quando o
                                                                           recurso alternativo ao mouse, mas no pode
                                                                                                                                    aluno for escrever sobre este tema, ele formar frases
                                                                           fisicamente acessar um teclado convencional
                                                                                                                                    acessando os botes de palavras e/ou figuras j pr-
                                                                           ou alternativo pode ento:
                                                                                                                                    programadas. Isso faz com que o foco do trabalho seja
                                                                                                                                    a narrao do passeio e no no soletrar (saber escrever
                                                                                     Opo: usar um dos mouses convencionais        as palavras) e o aluno pode orgulhar-se de ter escrito o
                                                                           (descritos acima) para ativao de um teclado virtual.   texto de sua histria.
                                                                 Os programas do teclado virtual diferem no
                                                        que podem oferecer ao aluno, como tambm nas
                                                        opes de acesso. Muitos programas incluem a funo
                                                        focalizar para selecionar (auto-ativao temporizada
                                                         Dwell), que permite ao aluno posicionar o cursor
                                                        no alvo desejado sendo este ativado automaticamente,
                                                        sem que o aluno necessite clicar o mouse. O tempo
                                                        que o cursor precisa ser mantido no alvo at a sua
                                                        ativao pode ser programado, ajudando assim o
                                                        aluno com dificuldades motoras a comandar todas as
                                                        funes do computador.
Figura 63  Teclado virtual Speaking Dynamically Pro.
                                                                  No Windows XP encontramos um teclado
                                                        virtual com a funo acima. Para acess-lo clique no
        Programas de teclados virtuais podem ser        boto Iniciar > Programas > Acessrios > Acessibilidade
encontrados nos seguintes sites:                        > Teclado Virtual. Depois de aberto, clique no menu       95
                                                        Configuraes, selecione a opo Modo de
                                                        Digitao e clique em Focalizar Para Selecionar.
 Screen Doors 2000 e Discover Screen
                                                        Selecione um tempo adequado ao aluno. Ainda em
 www.madentec.com/action/try.html




                                                                                                                  Captulo VI - Recursos de acessibilidade ao computador
                                                        Configuraes podemos ativar a varredura e
 Click-N-Type (fig. 107)
                                                        comandar a digitao pela barra de espao do teclado.
 www.lakefolks.org/cnt/
                                                        Para isso selecionamos no Modo de Digitao a
 WiVik3
 www.wivik.com                                          opo que corresponde ao Joystic ou Tecla para
 Clicker4                                               selecionar. Nesse caso, tambm a velocidade da
 www.cricksoft.com/us/products/clicker/default.asp      varredura poder ser regulada.
 Classroom Suite
 http://www.clik.com.br/intelli_01.html
 Speaking Dynamically Pro
 www.clik.com.br
                                                                           Habilidades: alguns alunos no possuem bastante                B: /a fala constante e inteligvel e a
                                                                           fora, amplitude do movimento ou resistncia           habilidade de memorizar comandos.
                                                                           para usar um recurso alternativo ao mouse
                                                                                                                                           Opo: permite com que o aluno utilize um
                                                                           controlado pela mo, mas tem controle motor
                                                                                                                                  programa de reconhecimento de voz. Para Windows
                                                                           em outras partes do corpo (cabea, olhos, p)
                                                                                                                                  encontra-se o Dragon Naturally Speaking e Voice
                                                                           para comandar um mouse alternativo. Esse
                                                                                                                                  Type para Macintosh: macspeech.com. No Brasil
                                                                           sistema  usado com um teclado virtual.
                                                                                                                                  temos o Motrix da UFRJ, produto gratuito em www.
                                                                                                                                  intervox.nce.ufrj.br/motrix/download.htm.
                                                                                     A: ...com o movimento de cabea.
                                                                                     Opo: explorar o uso do Tracker Pro da                C: ...com o movimento de boca.
                                                                           Mandentec (www.madentec.com/products/comaccess/
                                                                                                                                            Opo: usar o USB Integra como exemplo,
                                                                           tracker/about-tpro.html) ou o Headmouse Extreme,
                                                                                                                                  onde o mouse  movimentado usando a presso dos
                                                                           da Origin Instruments (www.orin.com/access/
                                                                                                                                  lbios e a presso do ar  usada para o clique (www.
                                                                           headmouse/index.htm). Esses so recursos que
                                                                                                                                  tashinc.com/catalog/ca_usb_integra_mouse.html).
                                                                           permitem o controle do mouse atravs de movimento
                                                                                                                                  (Figura 65)
                                                                           da cabea. O aluno precisa colocar apenas um pequeno
96
                                                                           ponto auto-adesivo na testa ou nos culos para
                                                                           comandar o equipamento. (Figura 64)
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                                                                           Figura 64  Tracker Pro.                               Figura 65  IntegraMouse.
          D: ...com o movimento dos olhos.               Habilidades: o aluno que no pode usar um
         Opo: utilizar o sistema de olhar, onde o      recurso alternativo ao mouse, mas ele possui uma
cursor se move de acordo com os movimentos do            parte do corpo que o permite ativar um acionador.
olho do usurio. Por exemplo, o My Tobii (www.           Esse acionador  o que ir executar as funes do
tobii.com) e o Quick Glance da EyeTech Digital, Inc      clique do mouse (o uso do acionador ser
(www.eyetechds.com). (Figura 66)                         explicado mais adiante). O aluno utiliza o(s)
                                                         acionador(es) concomitante a um sistema de
                                                         varredura, juntamente com um programa que
                                                         tenha todas as funes do mouse includas no
                                                         teclado virtual.


                                                                    Opes: o acionador pode ser usado para o
                                                         clicar e/ou direcionar o movimento do mouse. O
                                                         nmero de acionadores usados (geralmente 1 a 6)
                                                         depender do nmero dos movimentos intencionais
                                                         que o aluno pode executar isolado e repetidamente.           97
                                                         Quanto mais acionadores, maior ser o controle do
                                                         aluno sobre as funes do mouse. Os acionadores podem
                                                         ser selecionados e posicionados conforme as habilidades




                                                                                                                      Captulo VI - Recursos de acessibilidade ao computador
                                                         especficas de movimento do aluno. Encontramos uma
Figura 66  My Tobii.
                                                         variedade muito grande de acionadores que diferem em
                                                         forma, resistncia, presso requerida, tipos de
        Outra opo  o mouse ocular desenvolvido        acionamento (piscar, puxar, sopro...) e a escolha deve ser
pela Fundao Desembargador Paulo Feitosa, de            feita de acordo com as habilidades do aluno. (Figura 67)
Manaus, que est descrito em: www.fpf.br/cont.php?       Exemplos de acionadores podem ser encontrados em:
modulo=hardware&op=mouse.

                                                                    www.tashinc.com/catalog/s_sensitive.html e
          E:/. com o movimento do p.                                www.clik.com.br: exemplos de acionadores
                                                                     sensveis tais como acionadores de
          Opo: controlar o mouse usando ambos os ps
                                                                     MicroLight.
(ex: www.abilityhub.com/mouse/foot.htm). (fig. 112).
                                                                                      www.tashinc.com/catalog/s_scatir.html:               O Mouse Mover  uma interface ligada ao
                                                                                       acionador de SCATIR, um exemplo de um       computador que permite a utilizao de at seis
                                                                                       acionador infravermelho controlado com      acionadores, sendo que cada acionador corresponder
                                                                                       pequeno movimento.                          a uma funo da ao do mouse: seta para cima, seta
                                                                                      www.tashinc.com/catalog/s_dual_switches.    para baixo, seta para direita, seta para esquerda, clique,
                                                                                       html: exemplo de um acionador duplo         duplo clique. Ver detalhes em www.tashinc.com/
                                                                                       chamado de Sip & Puff, onde o sopro ativa   catalog/ca_mouse_mover.html.
                                                                                       um comando e a suco outro.                         O sistema de varredura  uma opo para o
                                                                                                                                   aluno que pode usar de um a quatro acionadores. Esse
                                                                                                                                   mtodo de acesso  lento devido ao tempo que leva
                                                                                                                                   para selecionar uma tecla. A varredura requer um
                                                                                                                                   controle mnimo de movimentos fsicos. Dependendo
                                                                                                                                   da habilidade motora e cognitiva do aluno, o acesso
                                                                                                                                   por varredura lhe permite executar uma variedade de
                                                                                                                                   atividades no computador, que seriam impossveis
                                                                                                                                   sem esta opo de acesso.
98
                                                                                                                                             O aluno precisa aprender a ativar, manter e
                                                                                                                                   soltar voluntariamente o acionador. Grande
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                                                                                                                                   importncia  dada ao posicionamento do computador
                                                                                                                                   em relao ao aluno. Existem basicamente trs modos
                                                                                                                                   de acesso no sistema de varredura:


                                                                                                                                             (1) varredura automtica: a varredura
                                                                                                                                                 inicia automaticamente e o aluno clica
                                                                                                                                                 no acionador uma vez para ativar a rea
                                                                                                                                                 selecionada;
                                                                                                                                             (2) varredura passo a passo: o aluno clica
                                                                                                                                                 repetidamente para mover o cursor at
                                                                                                                                                 o alvo desejado e ativa-o atravs de um
                                                                                                                                                 segundo acionador ou atravs da funo
                                                                                                                                                 de auto-ativao temporizada (Dwell);
                                                                           Figura 67  Acionadores variados.
         (3) varredura inversa: a varredura acontece
             enquanto o acionador est sendo
             pressionado at o aluno solt-lo, neste
             momento o cursor pra e a seleo 
             realizada. A varredura pode ser
             programada para selecionar os itens da
             tela nas opes "um por um, "fila/
             coluna ou em "grupo de varredura.


          Ser necessrio um dispositivo de
comunicao entre o acionador e o computador. Este
pode variar desde um simples mouse adaptado at
sofisticadas interfaces com entradas de funes
programveis que podem ser atribudas a cada
acionador conectado a este dispositivo de interface. A
escolha da interface a ser utilizada ir depender da                                                                99
compatibilidade do programa. Aqui esto alguns
dispositivos que fazem a interface entre os acionadores
e o computador: www.donjohnston.com/catalog/




                                                                                                                    Captulo VI - Recursos de acessibilidade ao computador
swithprofrm.htm e www.cricksoft.com/us/products/
access/usb.asp. (Figura 68)                               Figuras 68  Interfaces para acionadores.

           Estes dois modelos so conectados ao
computador atravs de um cabo USB. O modelo                        Uma soluo econmica para conectar o
                                                          acionador na funo do clique  um mouse adaptado
IntelliSwitch d mais liberdade ao usurio, pois
                                                          tipo  PlugMouse  www.clik.com.br/clik_01.
funciona atravs de ondas de rdio que dispensam
                                                          html#plugmouse que permite a conexo de um ou
cabos ligando o aparelho ao computador (tipo
                                                          dois acionadores, atribuindo-lhe funes do clique
wireless). www.madentec.com/products/comaccess/
                                                          da esquerda e/ou clique da direita. Outros dispositivos
intelliswitch/about-intelliswitch.html                    que realizam essas funes so o SwitchClick e o
                                                          Mini-Switch, encontrados respectivamente nos sites
                                                          www.tashinc.com/catalog/ca_switch_click.html          e
                                                          www.rjcooper.com/mini-switchport/index.html.
                                                                                3. Apoio  Escrita e  Leitura                              Utilizar escrita por comando de voz. O
                                                                                                                                             aluno exercita-se em elaborar seu
                                                                                                                                             pensamento para a produo textual e
                                                                                                                                             consegue passar sua idia para a escrita
                                                                            Habilidades: aluno que pode usar ou no um                       atravs do texto ditado ao computador.
                                                                            teclado e mouse convencional, porm apresenta
                                                                            dificuldades em compor mensagens escritas e
                                                                            precisa de ajuda/
                                                                                                                                    Habilidades: aluno que pode usar ou no um
                                                                                                                                    teclado e mouse convencional, porm com
                                                                                    A: /para organizar e dar seqncia s idias.
                                                                                                                                    dificuldades em ler o texto...
                                                                                     Opo: praticar escrevendo criativamente,
                                                                            completando frases ou textos, e/ou escrevendo as
                                                                            idias principais no papel antes de comear a                   Usar software com sntese de voz, que
                                                                            composio.                                                      leia a letra, a palavra e/ou frase logo aps
100                                                                                                                                          sua digitao, como o IntelliTalk 3 ou o
                                                                                                                                             Escrevendo com Smbolos (www.clik.
                                                                                     B: /com a gramtica e/ou habilidade de
 Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                            soletrar necessria para compor frases ou textos                 com.br).
                                                                            simples.                                                        O software Escrevendo com Smbolos
                                                                                    Opes:                                                  traz tambm o reforo visual da
                                                                                                                                             simbologia grfica que acompanha a
                                                                                     Utilizar funes de verificar ortografia,
                                                                                      autocorreo, dicionrio de sinnimos e                escrita, durante a digitao.
                                                                                      outras, encontradas na maioria dos                    Usar uma fonte maior
                                                                                      processadores de texto.
                                                                                                                                            Usar software com sntese de voz (leitor
                                                                                     Utilizar grficos ou smbolos junto com
                                                                                                                                             de texto) para explorar contedos de
                                                                                      ortografia.
                                                                                                                                             textos escritos na internet ou em outros
                                                                                     Se a habilidade do aluno em ler  um
                                                                                                                                             programas (Dosvox).
                                                                                      pouco maior do que em escrever, explorar
                                                                                      o uso de um software com predio de
                                                                                      palavras.
Habilidades: aluno que pode usar ou no um             Usar software que motive e desperte a
teclado e mouse convencional, porm apresenta           ateno do aluno, com uso de cores, voz,
dificuldades de/                                        sons e /ou de tamanho maior como letras
                                                        ou figuras grandes.

        A: ...compreender causa efeito.                Usar software que seja apropriado no s 
                                                        idade, mas ao nvel de interesse do aluno.
        Opes:
         Utilizar o acionador juntamente com um       Lidar com muitas informaes na tela ou
          software simples em que tenha apenas          no teclado (por exemplo, dificuldade de
          uma escolha (vide "o uso de acionadores"      discriminar figura e fundo).
          para mais informao); aumentar o
                                                       Usar software que tenha pouca informao
          nmero de escolhas gradualmente.
                                                        na tela, mas que permita aumentar a
         Explorar o uso da tela sensvel ao toque.     quantidade de informao gradualmente.
                                                       Cobrir o teclado convencional, deixando
       B:    ...processar     e/ou     decodificar      expostas apenas as teclas a serem usadas;    101
informao escrita.                                     com o aprendizado da localizao das
        Opes:                                         teclas, expor as demais gradualmente.
         Usar software com sntese de voz.            Experimentar o uso da tela sensvel ao




                                                                                                      Captulo VI - Recursos de acessibilidade ao computador
         Utilizar smbolos para a produo de          toque ou teclado expandido a fim de
          escrita como o IntelliTalk 3.                 simplificar o acesso motor ao computador.
         Utilizar textos com smbolos para apoiar
          a leitura como o software Escrevendo
          com Smbolos.


        C: ...manter a ateno.
        Opes:
         Simplificar o equipamento de entrada
          (input), como um teclado expandido,
          tela de toque, joystick etc.
CAPTULO VII
                          Acessibilidade Arquitetnica
                                                                                      Rosngela Machado




C
           om base nos princpios do Desenho               de fato nossos ambientes escolares se transformem
           Universal e da Lei n 10.098/00, toda           em ambientes acessveis e conseqentemente
           escola deve promover ambiente acessvel,        acolhedores. Paralelamente ao seu ingresso pode-se
eliminando as barreiras arquitetnicas e adequando         observar a falta de acessibilidade espacial na quase
os espaos que atendam  diversidade humana.               absoluta maioria dos edifcios escolares que foram
Recentemente tambm foi promulgado o Decreto               construdos sem considerar as necessidades das
n 5.296:2004 que "estabelece normas gerais e              pessoas com deficincia.                                  105
critrios bsicos para a promoo da acessibilidade                  Se nosso objetivo  a participao efetiva de
das pessoas com deficincia ou com mobilidade              alunos com deficincia nas atividades escolares, faz-
reduzida e d outras providncias". Esse Decreto           se necessrio um ambiente adequado para garantir
estipula um prazo de 30 meses, para que os lugares         essa participao.




                                                                                                                      Captulo VII - Acessibilidade Arquitetnica
pblicos organizem seus espaos de forma a torn-
los acessveis.                                                     A acessibilidade arquitetnica se faz
                                                           mediante uma anlise das condies do ambiente,
          Contamos com a ao fiscalizadora dos            numa parceria constante entre profissionais da
Ministrios Pblicos Estaduais para garantir o             educao e profissionais da arquitetura e engenharia
direito de acessibilidade espacial para as pessoas com     dentro de uma perspectiva ampla de incluso. 
deficincia.                                               preciso verificar as necessidades especficas oriundas
          Sabemos que os prdios escolares no             de cada tipo de dificuldade: motora, sensorial, de
apresentam acessibilidade espacial e h uma grande         comunicao, cognitiva ou mltipla.
dificuldade de arquitetos e engenheiros entenderam
esse direito.  preciso fazer uso da legislao para que
                                                                            Segundo Dischinger e Machado (2006, p....):                     cidadania.
                                                                                                                                          A acessibilidade depende das condies
                                                                                          ,,Acessibilidade           espacial   ambientais de acesso  informao, das possibilidades
                                                                               significa poder chegar a algum lugar             de locomoo e de uso de atividades que permitam
                                                                               com conforto e independncia, entender           aos indivduos participar da sociedade e estabelecer
                                                                               a organizao e as relaes espaciais que        relaes com as demais pessoas.
                                                                               este lugar estabelece, e participar das                    Recorrendo a Dischinger et al (2004) os
                                                                               atividades que ali ocorrem fazendo uso           projetos arquitetnicos acessveis podem se valer dos
                                                                               dos equipamentos disponveis. Para um            cinco princpios do Desenho Universal que muito
                                                                               aluno ir at sua escola, situada no centro       colaboram para a incluso escolar. So eles:
                                                                               da cidade,  possvel chegar atravs de
                                                                               automvel, de nibus ou a p. No caso
                                                                               de um cadeirante, o percurso deve ser                     1.... Direito  eqidade, participao:
                                                                               acessvel (com rampas nos passeios e na
                                                                                                                                                      ,,Todos os ambientes devem
                                                                               entrada do edifcio, dimenses adequadas,
                                                                                                                                            ser desenhados de forma a no segregar
                                                                               travessias seguras, etc.). Ao entrar na escola
                                                                                                                                            ou excluir pessoas, promovendo
106                                                                            deve ser possvel identificar o caminho a
                                                                                                                                            a socializao e a integrao entre
                                                                               seguir de acordo com a atividade desejada
                                                                                                                                            indivduos com diferentes condies
                                                                               atravs da configurao espacial e/ou
 Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                                                                            fsicas, mentais e sensoriais. Desta forma,
                                                                               da informao adicional (por exemplo,
                                                                                                                                            ambientes e equipamentos adaptados no
                                                                               utilizando a rampa para ir  biblioteca
                                                                                                                                            devem ser isolados dos demais espaos,
                                                                               no segundo andar). Um aluno com
                                                                                                                                            possibilitando o uso independente, na
                                                                               deficincia visual deveria poder obter
                                                                                                                                            medida do possvel, por indivduos
                                                                               informao atravs de mapas tteis e
                                                                                                                                            com habilidades e restries diferentes.
                                                                               em braile para encontrar sua rota com
                                                                                                                                            (DISCHINGER et al, 2004, pg. 157)
                                                                               independncia. Finalmente ao chegar na
                                                                               biblioteca deve ser possvel a todos alunos
                                                                               alcanar seus livros e poder ler e estudar                2.... Direito  independncia:
                                                                               em condies de conforto e segurana.
                                                                                                                                                       ,,Todos os espaos fsicos  ptios,
                                                                               Enfim, prover acessibilidade espacial ,
                                                                                                                                            caminhos, salas, etc... e seus componentes
                                                                               sobretudo, oferecer alternativas de acesso
                                                                                                                                             brinquedos, pisos, rampas, carteiras,
                                                                               e uso a todas as pessoas, garantindo
                                                                                                                                            etc...  devem permitir o desempenho de
                                                                               seu direito de ir e vir, sua condio de
                                                                                                                                            atividades de forma independente por todos
   os usurios. No caso de indivduos com                        para a compreenso, orientao e uso dos
   restries deve-se prover as condies para                   espaos a todos os alunos, independentemente
   sua independncia. Na impossibilidade                         de suas habilidades. A informao espacial
   da realizao de atividades de forma                           fornecida atravs das qualidades dos
   independente, o indivduo tem direito a                       elementos arquitetnicos ou adicionais
   um acompanhante. (Ibid, pg. 158)                             (mapas, totens, sinalizao sonora...) que
                                                                 permitem a compreenso da identidade
3.... Direito  tecnologia assistiva:                            dos objetos no espao. No caso de alunos
                                                                 portadores de deficincia sensorial (surdos,
             ,,Todos os alunos portadores de
                                                                 cegos e com baixa viso) fontes alternativas
   necessidades especiais tm direito  utilizao
                                                                 de informao devero estar disponveis
   de equipamentos, instrumentos, recursos
                                                                 quando necessrias. (Ibid, pg. 161)
   e material tcnico-pedaggico adaptados
   de uso individual ou coletivo necessrios
   para o desempenho das atividades escolares.                 Os princpios permitiro aos profissionais
   Incluem-se nesta categoria as salas de recurso,   da educao e aos profissionais da engenharia
   computadores com programas especiais,
                                                     e da arquitetura a compreenso de conceitos de             107
   material em braile, etc. (Ibid, pag. 159)
                                                     acessibilidade relacionados ao espao fsico. Eles
                                                     podem orientar o desenvolvimento de projetos
4.... Direito ao conforto e segurana:               arquitetnicos de redes de ensino, de forma que seus
              ,,Todos os ambientes e                 espaos escolares sejam verdadeiramente inclusivos.




                                                                                                                 Captulo VII - Acessibilidade Arquitetnica
   equipamentos devem possibilitar seu uso                    No existem modelos de adequaes fsicas,
   e a realizao de atividades com conforto e       mas por meio dos princpios do Desenho Universal,
   segurana, de acordo com as necessidades
                                                     a comunidade escolar e os engenheiros, os arquitetos
   especiais de cada indivduo. O desenho
                                                     e os tcnicos podem realizar projetos escolares de
   deve minimizar o cansao, reduzir o
   esforo fsico, evitar riscos  sade e           forma a garantir a permanncia dos alunos na rede
   acidentes dos usurios. (Ibid, pg. 160)          regular de ensino.
                                                              Os ambientes acessveis no promovem
                                                     apenas o bem-estar para as pessoas com deficincia,
5.... Direito  Informao Espacial
                                                     mas tambm contemplam e atendem toda a gama de
             ,,Deve estar prevista a possibilidade
                                                     diferenas humanas.
   de acesso  informao espacial necessria
                                                                                      O estudo de uma escola para ser acessvel pode
                                                                            ser acompanhado pelos professores especializados e
                                                                            pelos diretores escolares que conhecem a necessidade
                                                                            dos alunos com deficincia que freqentam a escola.
                                                                                      preciso adequar os espaos das escolas j
                                                                            construdas e orientar os novos projetos escolares com
                                                                            base em desenhos acessveis.
                                                                                      No campo da engenharia e da arquitetura
                                                                            ainda existe muita desinformao referente 
                                                                            acessibilidade arquitetnica e s leis que garantem
                                                                            a acessibilidade arquitetnica. H a necessidade
                                                                            de promover formao continuada para os
                                                                            profissionais da engenharia e da arquitetura,
                                                                            visando ao conhecimento do desenho universal e
                                                                             conscientizao de que escolas acessveis so um
108                                                                         direito garantido por lei.
                                                                                      Rampas e banheiros adaptados no so
 Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                            suficientes para que os princpios do desenho
                                                                            universal sejam consolidados. Assim sendo, para
                                                                            ir alm da exigncia das normas tcnicas e atender
                                                                            s necessidades de alunos com diferentes tipos de
                                                                            deficincia,  imprescindvel o estudo detalhado das
                                                                            necessidades do ambiente escolar.
                                                                                      Para finalizar, lembramos mais uma vez que
                                                                            acessibilidade arquitetnica  um direito garantido
                                                                            por lei, absolutamente fundamental para que as
                                                                            crianas e jovens com deficincia possam acessar
                                                                            todos os espaos de sua escola e participar de todas
                                                                            atividades escolares com segurana, conforto e a
                                                                            maior independncia possvel, de acordo com suas
                                                                            habilidades e limitaes.
CAPTULO VIII
Alinhamento e Estabilidade Postural: Colaborando
       Com as Questes do Aprendizado
                                                                                               Rita Bersch




P
       ostura e equilbrio so a base da atividade
       motora, que por sua vez  a plataforma
       onde se apiam os processos de
aprendizagem. No somos capazes de explorar o
meio, mantendo ateno em tempo prolongado
e interferindo nele em processo criativo, se no
forem resolvidas as questes fundamentais de                                                                 111
alinhamento e estabilidade postural.
         Os alunos com disfunes neuromotoras
possuem a indicao de recursos especficos que




                                                                                                             Captulo VIII - Alinhamento e estabilidade postural:
supram suas necessidades posturais, ou seja,




                                                                                                               colaborando com as questes do aprendizado
assentos e encostos que promovam alinhamento
estabilidade e conforto. Muitas vezes solues
simples como almofadas de contenes laterais,
cinto, apoio de cabea, um apoio para os ps ou
um simples antiderrapante no assento, ajudaro
em muito na obteno de uma postura estvel
e confortvel, deixando o aluno relaxado e
disponvel para as questes do aprendizado.



                                                     Figura 69  Exemplos de adequao postural.
                                                                                       Observando as ilustraes acima, (Figura               1. Revisando conceitos e
                                                                            65) encontramos duas crianas que, em um primeiro                  colocando em prtica a
                                                                            momento, encontram-se mal posicionadas, instveis ou
                                                                                                                                                 adequao postural
                                                                            tensas. Desconfortveis, as crianas tero dificuldades
                                                                            em manter o contato visual com o professor e com
                                                                            os colegas. Elas utilizaro grande parte de suas
                                                                            energias, preocupadas em no cair e dificilmente                    A adequao postural  uma das modalidades
                                                                            conseguiro manusear materiais escolares e explor-       de Tecnologia Assistiva (TA). Ela se ocupa das
                                                                            los criativamente.                                        avaliaes, indicaes e confeces de recursos que
                                                                                     Ao corrigirmos a postura dessas crianas,        melhorem a postura e conseqentemente a condio
                                                                            dando-lhes pontos de apoio e estabilidade;                funcional de pessoas com deficincia. Em se tratando
                                                                                                                                      da postura sentada, far a indicao de assentos
                                                                            obteremos ganhos como a melhora do tnus
                                                                                                                                      e encostos e demais acessrios, que atendero s
                                                                            muscular1 e diminuio de movimentos
                                                                                                                                      necessidades de ajustes e estabilizaes posturais do
                                                                            involuntrios; a criana estar mais relaxada e,
                                                                                                                                      usurio. Nesse caso, o aluno cadeirante ser o grande
112                                                                         tendo condies, conseguir atuar sobre objetos
                                                                                                                                      beneficiado desse Servio de TA, por permanecer
                                                                            e materiais escolares; permanecer com melhor             grande parte do tempo sentado.
                                                                            contato e seguimento visual do espao e sua
 Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                                                                                Os servios de TA so aqueles cuja misso
                                                                            ateno ser melhor e maior.
                                                                                                                                      est em resgatar o maior grau de funcionalidade e
                                                                                     Este texto sobre "Adequao Postural"            autonomia de indivduos deficientes e para isso contam
                                                                            tem por objetivo informar os professores sobre a          com uma equipe que avalia, prescreve, confecciona e
                                                                            importncia de seu aluno estar bem sentado e dar          capacita o usurio na utilizao do recurso indicado.
                                                                            dicas sobre recursos e estratgias disponveis, para               Objetivos da Adequao Postural (Cook &
                                                                            que isso acontea.                                        Hussey, 1995, p. 239):


                                                                                                                                                Normalizao ou diminuio da influncia
                                                                                                                                                 do tnus postural anormal e atividade
                                                                                                                                                 reflexa.
                                                                                                                                                Facilitao dos componentes normais do
                                                                            1 Tnus muscular  o estado de tenso do msculo.                    movimento e de sua seqncia evolutiva.
           Obteno e manuteno do alinhamento                   2. Noes sobre avaliao e
            postural neutro, da mobilidade articular
                                                                 indicao de recursos posturais
            passiva e ativa em seus limites normais,
            controle e preveno de deformidades em
            contraturas musculares.
           Preveno de lceras de presso.                            Para solucionar o posicionamento sentado
           Incremento do conforto e tolerncia em            e fazer a prescrio de recursos posturais necessrios,
            permanecer na posio.                            faremos um estudo detalhado da condio postural
           Diminuio da fadiga.                             do aluno com deficincia fsica.
           Melhora das funes respiratrias, oral-                    As orientaes que seguem serviro ao
            motoras e digestivas.                             professor no sentido de entender se a forma que seu
           Obter estabilidade para melhorar a funo;        aluno est sentado  a melhor e o auxiliar a buscar
           Facilitao de cuidados (terapia, enfermagem      recursos e acessrios que promovam a adequao
            e educao).                                      postural e aumentem sua capacidade de seu aluno
                                                              interagir no espao da escola. Profissionais com
                                                              fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais so de grande     113
           Atravs de nossa experincia no acompanhamento     auxlio nos projetos de adequao postural.
de crianas com disfunes neuromotoras em atividades
teraputicas, de estimulao e de educao, podemos afirmar
que elas obtiveram outros ganhos funcionais, que citamos a




                                                                                                                          Captulo VIII - Alinhamento e estabilidade postural:
                                                                                                                            colaborando com as questes do aprendizado
seguir:                                                              1... Passo  Condio muscular e
                                                                                  esqueltica
           Facilitao de movimentos, possibilitando
            o uso mais adequado das mos.                               Precisamos saber qual a condio
           Melhora e aumento do campo visual e               musculoesqueltica do aluno, para que um realinhamento
            coordenao visomotora.                           postural acontea. Vamos avali-lo observando sua atitude
           Melhora da ateno e concentrao.                postural espontnea e, em seguida, vamos promover o
                                                              mximo de correo, utilizando nossas mos. Dessa
           Melhora das condies de aprendizado.
                                                              forma, teremos a informao sobre a necessidade de
                                                              pontos de apoio e presso e sua localizao.
                                                                                                                                                    Na primeira foto observamos uma atitude
                                                                                                                                          postural em cifoescoliose2. Nivelando adequadamente
                                                                                                                                          o quadril e exercendo foras laterais no tronco
                                                                                                                                          obteremos um realinhamento parcial. Isso significa
                                                                                                                                          que h viabilidade do sistema msculo esqueltico
                                                                                                                                          para correo postural. Nesse caso,  indicado o uso
                                                                                                                                          de uma poltrona postural especialmente projetada
                                                                                                                                          para esse aluno, que busque a correo, o conforto e a
                                                                                                                                          estabilidade na postura sentada. (Figura 70)
                                                                                                                                                    Importante: um beb com leso cerebral, ao
                                                                                                                                          nascer, apresenta a integridade do sistema muscular e
                                                                                                                                          esqueltico, em grande parte dos casos. Com o passar
                                                                                                                                          do tempo, devido  falta de ativao muscular, fixao
                                                                                                                                          em posturas inadequadas, falta de carga sobre os ossos
                                                                                                                                          e tenses desequilibradas dos msculos; aparecem as
114                                                                                                                                       deformidades fsicas. Muitas dessas deformidades
                                                                                                                                          podero ser prevenidas se, desde a primeira infncia,
                                                                                                                                          promovermos e instigarmos os movimentos e
 Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                                                                                          posturarmos adequadamente essa criana.




                                                                                                                                                  2... Passo  Posio da pelve na
                                                                                                                                                           postura sentada


                                                                                                                                                   O bom posicionamento da pelve 
                                                                                                                                          fundamental para que se obtenha condies de ajuste
                                                                                                                                          da posio de tronco e das pernas.


                                                                            Figura 70  Atitude postural espontnea e condio muscular   2 Cifoescoliose: Enrolamento anterior do tronco e sua
                                                                            e esqueltica para o realinhamento.                             inclinao lateral
                                                           excessivas. A colorao da pele ser para ns um
                                                           grande indicador de que h presso concentrada
                                                           e excessiva em um nico ponto e a famlia poder
                                                           nos ajudar a observar essa situao nos momentos de
                                                           troca de roupas.
                                                                     Quanto maior for a rea de contato do corpo
                                                           sobre o assento e o encosto, melhor ser a distribuio
                                                           das foras, evitando-se assim leses de pele.
                                                                    Quando um aluno possui uma atitude
                                                           plvica alterada e no redutvel (no conseguimos
                                                           seu realinhamento durante a mobilizao), poder
Figura 71  Posicionamento da pelve.
                                                           ser indicado um apoio assimtrico no assento que
                                                           acompanhe sua anatomia. Dessa forma, encontrar
           Na primeira imagem observamos a pelve mal       uma maior rea de contato entre seu corpo e a superfcie
posicionada, provocando um enrolamento anterior da         de apoio (assento), evitando ento um ponto nico de
coluna. Na segunda imagem temos a correo da posio      presso excessiva. Almofadas de gua, de ar ou de gel      115
da pelve sobre o assento e, com isso, uma melhor postura   tambm podem ser indicadas nesses casos.
do tronco e das pernas. Depois de posicionarmos bem
o aluno poderemos mant-lo com cintos, almofadas




                                                                                                                      Captulo VIII - Alinhamento e estabilidade postural:
laterais ou almofadas entre as pernas. (Figura 71)




                                                                                                                        colaborando com as questes do aprendizado
                                                                 4... Passo  Tomada de medidas e
                                                                         indicaes de formas

3... Passo  Informaes sobre a sensibilidade                        muito comum encontrarmos crianas
                                                           sentadas em cadeiras enormes e em situao de grande
                                                           instabilidade ou, ao contrrio, em cadeiras muito
         Ser muito importante sabermos sobre a
                                                           pequenas em situao de desconforto e completo
preservao ou dficit de sensibilidade do aluno.
                                                           desajuste postural.
          Presses excessivas podero gerar escaras                  necessrio que a cadeira seja justa e
(feridas/lceras na pele) e o aluno com deficincia        confortvel e para isso deveremos levar em conta as
sensorial no saber nos informar sobre as foras          medidas do usurio.
                                                                                     Formas mais anatmicas para assento e                    Alm dessas medidas, deveremos tambm levar
                                                                            encosto ou almofadas acessrias para promoo de        em considerao a largura do tronco, do apoio de glteos
                                                                            alinhamento e estabilidades podem ser indicadas num     e da abertura das pernas.  muito freqente projetarmos
                                                                            projeto de adequao postural.
                                                                                                                                    apoios laterais para a sustentao do corpo.
                                                                                      Para a tomada de medidas deveremos sentar
                                                                            o aluno, em sua melhor condio postural possvel,
                                                                            mantendo ngulos de 90 a 110 de flexo de quadril,
                                                                            90 de flexo de joelho e tornozelos.                     5... Passo  TILT - Inclinao do mdulo
                                                                                     A ilustrao a seguir orienta o procedimento                      postural
                                                                            bsico de tomada de medidas para desenvolvermos
                                                                            um projeto de adequao postural. (Figura 72)
                                                                                                                                               Em casos de grande dficit de controle de
                                                                                                                                    tronco e cabea (o aluno no consegue sustentar-se
                                                                                     A - Medida para apoio de ps
                                                                                     B - Medida da profundidade do assento          contra a fora da gravidade) podemos indicar o TIL,
                                                                                     C - Medida da altura do encosto                isto , a poltrona postural ser inclinada para trs, sem
116                                                                                  D - Medida para o apoio de cabea              alterar o ngulo de flexo do quadril. (Figura 73) Dessa
                                                                                                                                    forma a aluno no tombar para frente e manter seu
                                                                                                                                    tronco retificado e encostado no apoio posterior. Essa
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                                                                                                                                    alternativa pode diminuir o contato visual do aluno com
                                                                                                                                    a atividade ou com o material que estiver sobre sua mesa
                                                                                                                                    e, neste caso, devemos buscar alternativas de inclinar o
                                                                                                                                    tampo da mesa ou colocar um plano inclinado sobre
                                                                                                                                    ela, onde fixamos as gravuras, livros e demais matrias
                                                                                                                                    que podero ser visualizados pelo aluno.




                                                                            Figura 72  Modelo de tomada de medidas.
                                                    3. Tnus Muscular e os Reflexos
                                                               Tnicos



                                                             Ao citarmos os objetivos da Adequao
                                                   Postural, falamos da normalizao ou diminuio
                                                   da influncia do tnus postural anormal e atividade
                                                   reflexa.
                                                            Mas o que  este tnus muscular?
                                                            Tnus muscular  o estado de tenso de nossos
                                                   msculos, que constantemente est se modificando
                                                   para garantir nossa postura e permitir nossa dinmica
                                                   (deslocamento, manipulao, movimentos corporais).
                                                   O tnus muscular  regulado por nosso Sistema
                                                                                                            117
                                                   Nervoso e em caso de leso encontramos:


                                                             Hipotonia:    criana   mole,   com




                                                                                                            Captulo VIII - Alinhamento e estabilidade postural:
                                                              dificuldades de sustentar postura e




                                                                                                              colaborando com as questes do aprendizado
                                                              apresentando poucos movimentos.
                                                             Hipertonia: tenso muscular exagerada,
                                                              limitaes de movimentos e fixaes em
                                                              padres de postura, problemas de ajustes
                                                              automticos do tnus e equilbrio.
                                                             Hipercinesias: alteraes do tnus
                                                              que se apresenta flutuante e, neste caso,
                                                              observamos movimentos involuntrios
Figura 73  TIL  inclinao do mdulo postural.              do tipo atetide, distnico, entre outros.
(www.realteam.com.br)
                                                                                      Muitas crianas com alteraes neuromotoras               RTCS  Reflexo Tnico Cervical Simtrico:
                                                                            apresentam tambm influncia de atividade tnica          a flexo da cabea causa flexo da parte superior do
                                                                            reflexa, ou seja, determinados estmulos provocam         corpo e extenso na parte inferior do corpo. A extenso
                                                                            reaes corporais reflexas. Os reflexos mais comuns       da cabea causa a extenso na parte superior do corpo e
                                                                            reagem  alterao da posio da cabea.                  flexo na parte inferior do corpo. (Figura 75)



                                                                                       RTCA  Reflexo Tnico Cervical Assimtrico:
                                                                            quando a cabea  rodada para um dos lados
                                                                            observamos uma resposta de extenso de todo o lado
                                                                            do corpo para o qual a criana se volta e o lado oposto
                                                                            fica flexionado. (Figura 74)




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                                                                            Figura 74  RTCA.
                                                                                                                                      Figura 75  RTCS.
          RTL  Reflexo Tnico Labirntico: com a                     Reconhecendo a presena e interferncia
extenso da cabea percebemos um aumento de tnus            destes reflexos sobre a motricidade da criana,
extensor3 em todo o corpo e com a flexo da cabea h        podemos encontrar estratgias de inibio e com
aumento do tnus flexor4 em todo o corpo. (Figura 76)        isso ela ter maior possibilidade de manter sua
                                                             postura e realizar seus movimentos.
                                                                       Como os reflexos so desencadeados
                                                             pela alterao da posio da cabea, orientamos o
                                                             aluno a permanecer com a cabea na linha mdia
                                                             (sem rotaes, flexo ou extenso exageradas).
                                                                      O material escolar e pedaggico deve
                                                             ser colocado numa altura que favorea o aluno
                                                             a olhar mais para frente, sendo que os objetos e/
                                                             ou pessoas devem ser apresentados na altura dos
                                                             olhos desse aluno, evitando assim que ele tenha
                                                             que baixar a cabea ou olhar muito para cima.         119
                                                                      No exemplo ilustrado a seguir, a
                                                             professora colocada do lado do aluno, estimula
                                                             a rotao de sua cabea e com isso observamos a




                                                                                                                   Captulo VIII - Alinhamento e estabilidade postural:
                                                             alterao do tnus pelo RTCA5. (Figura 77)




                                                                                                                     colaborando com as questes do aprendizado
                                                                      Neste caso,  indicado que a professora se
                                                             posicione mais  frente, favorecendo que o aluno
Figura 76  RTL.                                             permanea com a cabea na linha mdia do corpo
                                                             e dessa forma ele conseguir levar as duas mos
                                                             ao centro.


3 Msculos responsveis pela sustentao do corpo contra a
  gravidade ficam hipertnicos.
4 Msculos no envolvidos com a ao de sustentao
  postural, normalmente localizados na parte anterior do
  corpo, ficam hipertnicos.                                 5 RTCA  Reflexo tnico cervical assimtrico.
                                                                                                                                        pedaggico no poder ser apresentado em uma
                                                                                                                                        altura excessiva. Nesse caso os estmulos devem
                                                                                                                                        ficar na altura dos olhos do aluno. (Figura 78)




120
 Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                            Figura 77  Orientao de posicionamento no caso de RTCA.



                                                                                     No caso desta outra aluna, acontece um
                                                                            aumento da hipertonia extensora, sempre que ela
                                                                            eleva a cabea para cima e para trs, em como
                                                                            resposta ao RTL6. A professora ou o material

                                                                                                                                        Figura 78  Orientao de posicionamento no caso de RTL.
                                                                            6   RTL  Reflexo tnico labirntico
         O aluno que segue est em frente do                          Essas orientaes sero muito importantes,
computador, utilizando um teclado apoiado sobre a           principalmente com os alunos menores, que esto em
mesa. Ao baixar a cabea, ele perde o tnus extensor        processo de desenvolvimento, aprendendo estratgias
e aumenta a atividade flexora por ao do RTCS7.            de movimento, que posteriormente faro parte de seu
(Figura 79) A soluo para ele foi colocar o teclado        repertrio motor.
em um plano inclinado e, neste caso, sua cabea no                   No caso de crianas maiores, que j apresentam
baixar, mantendo a qualidade de tnus postural.            habilidades funcionais, a partir da utilizao de tnus
                                                            postural anormal e atividade reflexa,  importante
                                                            conversar com o fisioterapeuta ou terapeuta
                                                            ocupacional e entender se deveremos propor, ou no, a
                                                            inibio do tnus anormal e dos reflexos ou, priorizar a
                                                            funcionalidade que j adquiriram. Para obtermos uma
                                                            resposta a essa questo, buscaremos avaliar o quanto o
                                                            aluno melhora sua condio postural e funcional (faz
                                                            uso de suas mos, interferindo no meio com matrias
                                                            variados), com ou sem estratgias de inibio reflexa,     121
                                                            no esquecendo que na escola priorizaremos tudo que
                                                            diz respeito  educao.




                                                                                                                       Captulo VIII - Alinhamento e estabilidade postural:
                                                                                                                         colaborando com as questes do aprendizado
                                                              4. Fotos de Recursos Posturais e
                                                                         Resultados



                                                                      As fotografias abaixo mostram uma poltrona
                                                            postural SPH (www.reateam.com.br). O mesmo
                                                            mdulo postural pode ser colocado numa cadeira de
Figura 79  Orientao de posicionamento no caso de RTCS.   rodas, cadeira convencional ou no cho. (Figura 80)

7   RTCS  Reflexo tnico cervical simtrico.
                                                                                                                                             No projeto mostrado a seguir vemos a
                                                                                                                                    poltrona postural colocada sobre uma cadeira onde
                                                                                                                                    tambm foram colocadas pequenas rodas, para auxiliar
                                                                                                                                    na mobilidade, dentro da sala de aula. Essa mesma
                                                                                                                                    poltrona poder ser colocada no cho, no momento de
                                                                                                                                    "rodinha" e brincadeiras com os colegas. (Figura 81)




122
 Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                            Figura 80  Poltrona postural e vrias opes de uso.   Figuras 81  Poltrona postural na sala de aula.
         O mesmo mdulo postural, colocado sobre               5. REFERNCIAS
uma cadeira no laboratrio de informtica, est
                                                               BIBLIOGRFICAS
contribuindo para que o aluno consiga um bom
contato visual com o monitor e utilize sua mo no
acionador. (Figura 82)
                                                    BERSCH, Rita. Introduo  Tecnologia Assistiva.
                                                    Texto complementar distribudo em cursos
                                                    Tecnologia Assistiva. Disponvel em www.assistiva.
                                                    com.br, RS, 2006.
                                                    BERSCH, Rita e SCHIRMER, Carolina. Tecnologia
                                                    Assistiva no Processo Educacional. IN.: Ensaios
                                                    Pedaggicos: Construindo Escolas Inclusivas.
                                                    Braslia: MEC/SEESP, 2005.
                                                    BRASIL. Referencial curricular nacional para a
                                                    educao infantil. Braslia: MEC/SEF, 1998.
                                                    BRASIL. Saberes e Prticas da Incluso: Dificuldades
                                                                                                           123
                                                    Acentuadas de Aprendizagem: Deficincia Mltipla.
                                                    2. ed. rev.  Braslia: MEC, SEESP, 2003.
Figura 82  Poltrona postural na informtica.
                                                    BRASIL: Ministrio da Educao. Secretaria de




                                                                                                           Captulo VIII - Alinhamento e estabilidade postural:
                                                    Educao Especial. Sala de Recursos Multifuncionais:




                                                                                                             colaborando com as questes do aprendizado
                                                    espaos para o Atendimento Educacional
                                                    Especializado. Braslia: MEC/SEESP, 2006.
                                                    CAMARGO, Paulo. O primeiro ano de vida da
                                                    criana e a interveno sobre seu desenvolvimento
                                                    neuropsicomotor. IN.: KUDO, Aide M. (et al.).
                                                    Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional
                                                    em Pediatria. 2 ed. So Paulo: Sarvier, 1994.
                                                    CENTER ON DISABILITIES  Anais do Assistive
                                                    Technology Applications Certificate Program
                                                    (ATACP)  California State University Northridge,
                                                    Los Angeles, 2006.
                                                                            COOK, A. M. e HUSSEY, S. M. Assistive                  JOHNSON, Roxanna. Guia dos Smbolos de
                                                                            Technologies: Principles and Practices. St. Louis,     Comunicao Pictrica. Porto Alegre: Clik, 1998.
                                                                            Missouri, EUA. Mosby  Year Book, Inc., 1995.
                                                                                                                                   MANTOAN, Maria Teresa E. A Tecnologia Aplicada
                                                                            DECRETO n 3.298/1999. Disponvel em www.81.            Educao na Perspectiva Inclusiva. Mimeo.
                                                                            dataprev.gov.br/sislex/paginas/23/1999/3298.htm.
                                                                                                                                   MANTOAN, Maria Teresa E. O direito de ser,
                                                                            DECRETO n 5.296/2004. Disponvel em www.81.           sendo diferente, na escola. IN.: Revista de Estudos
                                                                            dataprev.gov.br/sislex/paginas/23/2004/5296.htm.       Jurdicos, Braslia, n 26, jul./set. 2004.

                                                                            DISCHINGER, Marta (et al.). Desenho universal          PELOSI Miryan e BERSCH Rita. Material sobre
                                                                            nas escolas: acessibilidade na rede municipal de       comunicao alternativa para ser inserido no livro
                                                                            ensino de Florianpolis. SME, Florianpolis:           do professor. Texto complementar distribudo em
                                                                            Prelo, 2004.                                           cursos de comunicao alternativa. Disponvel em
                                                                                                                                   < www.comunicacaoalternativa.com.br > RJ, 2002.
                                                                            DISCHINGER, Marta e MACHADO, Rosngela.
                                                                            Desenvolvendo aes para criar espaos escolares       PEREIRA LL, LEVY DS e SCHIRMER CR.
                                                                            acessveis. IN.: Incluso. Revista da Educao         Introduo de Comunicao Alternativa em um
124
                                                                            Especial. Secretaria de Educao especial. Ano 2, n   caso de Ataxia de Machado Joseph. Trabalho
                                                                            2, agosto/2006. Braslia: Secretaria de Educao       apresentado no XIII CONGRESSO BRASILEIRO
 Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficincia Fsica




                                                                            Especial, 2006.                                        DE FONOAUDIOLOGIA, 2005. Santos/SP, 2005.

                                                                            FVERO, Eugnia A.G. Direito das pessoas com           SCHIRMER,        Carolina      R.    Comunicao
                                                                            deficincia: garantia de igualdade na diversidade.     Suplementar e Alternativa no Trabalho com
                                                                            Rio de Janeiro: WVA, 2004.                             Portador de Paralisia Cerebral. IN.: RIBAS, Letcia
                                                                                                                                   Pacheco; PANIZ, Sandra Ins Marcon. Atualizaes
                                                                            FERNANDES, A. Protocolo de Avaliao para
                                                                                                                                   de Temas em Fonoaudiologia. Novo Hamburgo:
                                                                            Indicao de Sistema de Comunicao Suplementar
                                                                                                                                   Editora FEEVALE, 2004.
                                                                            e Alternativa para Crianas Portadoras de Paralisia
                                                                            Cerebral. Tese apresentada  Universidade Federal      TETZCHNER, E. V. & MARTINSEN, H.
                                                                            de So Paulo  Escola Paulista de Medicina. So        Augmentative and Alternative Communication.
                                                                            Paulo, 1999.                                           IN.: Sign teaching & the use of communication
                                                                                                                                   aids. Whurr Publishers, London , 1992.
                                                                            GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Mdica.
                                                                            6 edio  Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.
   BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR



BROWNING, N. Alternativas de acesso ao mouse
convencional [reviso do programa do software].
Occupational Therapy Now, July/August 2005, pp.
3-5, 2004.
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na rea de comunicao alternativa. IN.: L. R. O. P.
Nunes. Favorecendo o desenvolvimento da
comunicao em portadores de necessidades especiais
(pp. 235-250). Rio de Janeiro: Dunya, 2003.
CHURCH, G. & GLENNEN S. The Handbook of
Assistive Technology. San Diego, California, EUA.
Singular Publishing Group, 1992.                       125
GOOSSENS, C. & CRAIN, S.S. Utilizing Switch
Interfaces with Children who are Severely Physically
Challenged. Austin, Texas. Pro. Ed, Inc. 1992.




                                                       Captulo VIII - Alinhamento e estabilidade postural:
                                                         colaborando com as questes do aprendizado
KING, T. Assistive Technology  Essential Human
Factors. Needham Heights, MA. Allyn and Bacon, 1999.
CAPTULO IX
                                 Consideraes Finais

                                                                                             Rita Bersch




N
           o decorrer deste mdulo, mostramos                    O professor especializado, tambm,
           as diversas possibilidades de promover       deve participar das reunies tcnico-pedaggicas,
           acesso do aluno com deficincia fsica       do planejamento, dos conselhos de classe, da
ao conhecimento e ao ambiente escolar.  preciso        elaborao do projeto pedaggico, desenvolvendo
saber que os recursos e os servios apropriados ao      ao conjunta com os professores da classe comum
aluno com deficincia fsica esto garantidos por       e demais profissionais da escola para a promoo
lei e devem ser exigidos ao poder pblico.              da incluso escolar.                                  129
         As dificuldades encontradas no cotidiano                 So os servios das salas multifuncionais
escolar no devem ser motivo de excluso dos            que preparam os materiais especficos; ensinam
alunos com comprometimentos fsicos.                    os alunos a utilizarem recursos de tecnologia
                                                        assistiva como os materiais escolares e pedaggicos
         O Atendimento Educacional Especializado        adaptados, comunicao alternativa, recursos de




                                                                                                               Captulo IX - Consideraes Gerais
 garantia de incluso e o professor especializado      acessibilidade ao computador entre outros que so
desempenha um importante papel quando atua              utilizados nas classes comuns do ensino regular.
de forma colaborativa com o professor da classe
comum para a definio de estratgias pedaggicas e              Nesse contexto, observamos a importncia
disponibilizao de recursos que favoream o acesso     do Atendimento Educacional Especializado para
do aluno ao currculo comum, sua interao no           efetiva participao do aluno com deficincia
grupo, participao em todos os projetos e atividades   fsica no cotidiano escolar.
pedaggicas e acesso fsico aos espaos da escola.
